Data: 16/08/2019 14:44 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo

Cacique do Amapá morreu por afogamento, diz laudo preliminar

Segundo a PF, o resultado preliminar do exame necroscópico do cacique Emyra Wajãpi produzido pela Polícia Técnica do Amapá sugere afogamento como a causa da morte do líder indígena


Exame necroscópico do cacique Emyra Wajãpi realizado no início do mês, pós exumação do corpo do líder indígena
Exame necroscópico do cacique Emyra Wajãpi realizado no início do mês, pós exumação do corpo do líder indígena

Crédito: Reprodução

No fim de julho, lideranças da aldeia e funcionários da Secretaria Estadual dos Povos Indígenas afirmaram que o corpo do cacique foi encontrado dentro de um rio.

Na ocasião, eles denunciaram ainda a invasão de um grupo de cerca de 50 garimpeiros na Terra Indígena Wajãpi, localizada em Pedra Branca do Amapari, a 189 km de Macapá.

O laudo, que integra o procedimento aberto em 27 de julho para apurar a morte do indígena, foi produzido com base em exame realizado no início do mês, pós exumação do corpo de Emyra Waiãpi.

O documento informa que o cacique morreu entre os dias 21 e 23 de julho e afastou a possibilidade de a morte ter sido provocada por faca ou arma de fogo.

Foram verificadas lesões superficiais na cabeça. Segundo a perícia, a ausência de hemorragia ou traumatismo craniano apontam que os ferimentos não seriam capazes de provocar a morte.

"As lesões são compatíveis com impacto provocado por queda."

Os legistas também indicam que não foram encontradas, na região do pescoço, lesões traumáticas ou sulcos evidenciáveis de enforcamento, e que o corpo não apresentava traumas de qualquer natureza na região dorsal e na genitália.

A Polícia informou que ainda aguarda o laudo complementar toxicológico, que contará com análises do Laboratório de Toxicologia Forense sobre amostras retiradas dos órgãos internos.

Segundo a PF, o resultado, que tem previsão de ser entregue em 30 dias, auxiliará a investigação das circunstâncias dos fatos.

As investigações
O Ministério Público Federal afirmou que a apuração sobre as circunstâncias da morte do cacique Emyra Wajãpi e a invasão de garimpeiros na Terra Indígena Wajãpi continua em andamento.

De acordo com a Procuradoria, diligências terrestres e aéreas realizadas pela Polícia Federal com apoio da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública do Amapá não detectaram indícios da ocorrência dos crimes.

O Ministério Público Federal informou ainda que aguarda a conclusão do relatório técnico pela autoridade policial.

Comente aqui