Data: 27/03/2020 18:40 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo

Bolsonaro não acredita no número de casos em SP e fala em “sazonalidade” do coronavírus

Com diversas referências a Doria, Bolsonaro, afirmou que alguns governadores querem "fazer número político" de números sobre as contaminações e mortes decorrentes do novo coronavírus


Bolsonaro não acredita  no número de casos em SP e fala em “sazonalidade”do coronavírus
Bolsonaro não acredita no número de casos em SP e fala em “sazonalidade”do coronavírus

Crédito: Reprodução/TV Band

Durante entrevista ao programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, Bolsonaro chegou a duvidar dos dados divulgados pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, que tem o maior número de casos. "Não estou acreditando nesses números", disse o presidente.

Durante a conversa, Bolsonaro defendeu que as medidas de contenção da covid-19 devem ser tomadas de acordo com a "sazonalidade" e o local, mas não apresentou base científica para a estratégia.

"São Paulo tem lugares em que é frio, outros em que é quente. O Vale do Ribeira, por exemplo, é úmido. De acordo com a incidência tem que ter atuação diferente", declarou o presidente da República.

Bolsonaro avaliou que o número de 58 mortes em São Paulo é "muito grande" para a população. "Tem que ver o que está acontecendo aí. E não pode ser um jogo de números para favorecer interesse político", declarou.

O presidente também rebateu Doria sobre a preocupação do Brasil acabar em situação semelhante à de outros países, como a Itália, que apenas nesta sexta-feira informou o registro de quase mil mortes.

O total de mortes no país europeu chega a quase 8 mil. "Não adianta querer torturar números de fora do Brasil para justificar ações aqui dentro", afirmou.Ação popular quer barrar campanha ‘O Brasil não pode parar’ de Bolsonaro

Governo contratou, sem licitação, por R$ 4,9 milhões, agência de publicidade para defender a flexibilização do isolamento social

O vereador de São Paulo, Caio Miranda (PSB) afirma que iniciativa contraria orientações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde emoveu ação popular contra a campanha ‘O Brasil não pode parar’, contratada sem licitação, por R$ 4,9 milhões, pelo governo Jair Bolsonaro, para defender a flexibilização do isolamento social. O processo está na Justiça Federal em Brasília.

A iniciativa é parte da estratégia montada pelo Palácio do Planalto para divulgar ações de combate ao novo coronavírus, ao lado de medidas que o presidente Jair Bolsonaro considera necessárias para a retomada econômica. Também há previsão de vídeos institucionais.

O parlamentar afirma à Justiça que, com a campanha, o governo estimula que ‘as pessoas saiam às ruas e voltem ao trabalho, contrariando orientações da Organização Mundial da Saúde e todas as políticas públicas desenvolvidas por Estado, Municípios, e pelo próprio Ministério da Saúde, através de seu Ministro Luiz Henrique Mandetta – manifestações essas que são fatos notórios’.

“Nada mais absurdo!”, escreve.

O parlamentar ainda lembra que ‘há um mês, quando o avanço da Covid-19 estava num estágio similar ao que vivemos hoje no Brasil, o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, lançou uma campanha semelhante: “Milão não para” – e incentivava que os moradores da idade a retomar suas atividades mesmo com o avanço da doença’

“Muitos milaneses seguiram os apelos e saíram do isolamento. O resultado? Na Lombardia, região da Itália em que fica Milão, em 27 de fevereiro, na época da campanha, eram 250 os contaminados. Nesta sexta-feira, 27, são 34.889 casos confirmados, com 4.861 mortes”, diz.

O vereador ressalta que a ‘Itália se tornou o país com mais casos de mortes, e em nenhum outro lugar do país morreu tanta gente como na Lombardia’. “É justamente esse erro que esta ação pretende evitar”.

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, admitiu ter errado ao apoiar a campanha “Milão não para”, que pedia que a cidade não paralisasse suas atividades no início da pandemia de coronavírus na Itália.

Em 27 de fevereiro, a Itália havia registrado 14 mortes por Covid-19 e 528 casos confirmados de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, quando o prefeito compartilhou o vídeo que dizia que Milão não devia parar.

Um mês depois, nesta sexta (27), o país registrou um recorde diário de mortes pela doença: foram 919 em 24 horas, segundo a agência de proteção civil. O país soma 9.134 mortes e, destas, 5.402 (59%) foram na Lombardia.

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