Data: 03/08/2020 13:23 / Autor: Redação / Fonte: ABCdoABC

Ancine defende o fim da meia-entrada no Brasil

Estudo realizado pela Ancine relatou que quem mais aproveita o benefício de meia-entrada nos cinemas são as classes A e B


Você sabia que o Brasil é o único país com o direito de meia-entrada no mundo?

Este benefício já está em nosso país desde a década de 40, passou por momentos conturbados na época da ditadura militar e foi finalmente regulamentado em 2013 com a lei 12.933/13. E em 2017 incorporou o modelo padronizado pelo Governo para a Carteira de Identificação Estudantil tornando-se um documento válido.

Porém, após um estudo realizado pela ANCINE (Agência Nacional do Cinema) finalizado em maio deste ano, o Ministério da Economia concordou com defesa de fim de meia-entrada. Depois de obter resultados da pesquisa foi analisado que normalmente quem usufrui mais deste benefício são as pessoas da classe A e B e mesmo assim nem todas as 28,5% das pessoas da classe C e D tiveram acesso a isto, já que apenas 17,3% foram ao cinema pelo menos uma vez em 2017. “Pessoas que integram famílias com menor renda, em média, estudam por menos do que pessoas de famílias com maior renda. O que significa que jovens de famílias de menor renda ficam menos anos na condição de estudante, tendo assim acesso a 'meia-entrada' por menos tempo que jovens de famílias com maior renda.” diz a Ancine.

Além disso, ao analisar o documento é possível perceber que a meia-entrada acaba sendo uma ilusão, já que os preços são elevados para compensar a queda das receitas dos exibidores, enquanto aqueles que pagam a inteira acabam sendo prejudicados com um preço ainda maior. 

A Agência Nacional não teme o aumento de preço caso não haja este benefício, isso porque não há um valor fixo nos cinemas do Brasil, dado o fato de que algumas redes até obtém custos mais baratos durante a semana e mais altos nos sábados, por exemplo. Isso por conta da demanda, fazendo o lucro variar.

Ainda não há posicionamento em relação a solução dos problemas, mas já foi apresentado três possíveis soluções que poderia financiar uma decisão do Executivo ou do Legislativo, são elas: manter a política atual, restringir o alcance da meia-entrada ou extingui-la.

Possibilitando essa vantagem para jovens atendidos por programas sociais do governo beneficiaria cerca de 16,8 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos, ou 7,9% da população. E em números gerais quase 60 milhões de estudantes, ou 31,2% da população também tem acesso a meia-entrada hoje no país.

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