Data: 15/01/2021 19:38 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo

'Culpar vírus é fácil; é preciso aceitar responsabilidade por perda do controle'

Para OMS, nova variante do coronavírus pode ter impacto no aumento de casos e colapso do sistema de saúde de Manaus, mas festas e abandono do distanciamento são os principais culpados


OMS diz que colapso em Manaus deve servir de alerta para outros países
OMS diz que colapso em Manaus deve servir de alerta para outros países

Crédito: Reprodução

O colapso do sistema de saúde de Manaus e a morte de pessoas por asfixia pela falta de oxigênio foram mencionados nesta sexta-feira, 15, pela OMS, como um chamado para que países não descuidem da prevenção à covid-19.

“O que está acontecendo em Manaus é um alerta para muitos países. Não deixem que uma falsa sensação de segurança baixe a guarda de vocês. Se vocês construíram uma infraestrutura, com leitos de UTI, oxigênio, não desativem isso, porque a pandemia não acabou ainda”, afirmou a diretora-geral assistente da Organização Mundial da Saúde (OMS), Mariangela Simão, durante entrevista coletiva.

O diretor executivo da OMS, Mike Ryan, afirmou que a situação na cidade se deteriorou significativamente e que todo o sistema parece estar implodindo.

“Um problema, que já vimos antes, de profissionais de saúde sendo afetados. Estamos ouvindo que muitos profissionais de vigilância estão afetados por covid-19, muitos dos trabalhadores de laboratórios estão sendo afetados pela transmissão comunitária. Isso é uma situação em que todo o sistema começa a implodir, porque os hospitais, o sistema de saúde pública, o sistema de laboratórios... essas pessoas também são parte da comunidade, se elas são infectadas, entra-se numa espiral negativa”, afirmou.

Ele lembrou que o sistema já estava enfraquecido pela onda anterior da pandemia e alertou que ainda pode piorar. “Se continuar desta maneira vamos ter uma segunda onda ainda mais catastrófica do que foi a primeira em abril e maio no Amazonas. O sistema está com ocupação de 100%, sob extrema pressão”, disse. Ele ressaltou, porém, que essa não é uma condição somente de Manaus, mas também de outros Estados, como Amapá e Rondônia, que também estão com alta ocupação de leitos de UTI, e de várias partes do Brasil.

Ryan comentou também sobre o possível impacto no aumento de casos da nova variante do coronavírus que foi identificada no Amazonas, mas apontou que a maior parcela de responsabilidade ainda é do relaxamento da população aos cuidados contra a doença.

“Ainda estamos por ver como essas novas variantes estão contribuindo para isso. Mas se olharmos para as curvas epidêmicas em vários países da América, no cone sul, vemos um rápido e exponencial crescimento em vários deles”, disse.

“O aumento dos encontros entre as pessoas, a redução do distanciamento social, a fadiga, a exaustão estão levando a isso. A situação é difícil, e não são as novas variantes que estão levando a isso. Elas podem ter um impacto, mas é muito fácil jogar a culpa na variante, dizer que foi o vírus que fez isso. Infelizmente é também  o que nós não fizemos que causou isso. Nós precisamos ser capazes de aceitar, como indivíduos, como comunidades e governos, nossa parte da responsabilidade para o vírus sair do controle”, enfatizou.

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