Automedicação exige cuidados durante o frio e as férias 

Automedicação com remédios isentos de prescrição exige atenção à dose, combinações, validade e sinais que indicam necessidade médica

Automedicação exige cuidados durante o frio e as férias 

Crédito: Divulgação

Com a chegada do frio e as mudanças na rotina, sintomas como alergias, gripes e resfriados podem se tornar mais frequentes. Nesse período, também aumenta a procura por medicamentos isentos de prescrição (MIPs), como analgésicos, antigripais, antialérgicos, antiácidos e antitérmicos. A automedicação, porém, exige cuidados para evitar riscos à saúde. 

Embora esses medicamentos possam ajudar no alívio de sintomas comuns e, em alguns casos, evitar idas desnecessárias a serviços de emergência, o uso inadequado pode trazer riscos. Por isso, a automedicação deve ser acompanhada de informação e atenção às orientações presentes na bula.

Especialistas destacam que automedicação responsável não significa utilizar medicamentos sem qualquer cuidado, mas saber quando e como recorrer aos produtos disponíveis sem receita.

Automedicação exige atenção à bula e às doses

Mesmo medicamentos conhecidos e vendidos sem prescrição podem provocar efeitos adversos. A bula reúne informações sobre dosagem, contraindicações, efeitos colaterais e possíveis interações com outros medicamentos.

Por isso, a primeira recomendação é ler as instruções antes do uso, mesmo quando o consumidor já está acostumado a determinado produto.

Também é importante nunca ultrapassar a dose indicada. A tentativa de aumentar a quantidade para obter um alívio mais rápido pode provocar intoxicação e sobrecarga do fígado, dos rins e do estômago.

Cuidado com medicamentos combinados

Outro ponto importante na automedicação é observar a composição dos produtos.

Antigripais e medicamentos chamados de multissintomas podem reunir diferentes princípios ativos na mesma fórmula, incluindo analgésicos e cafeína. Quando esses produtos são combinados com outros medicamentos de composição semelhante, pode ocorrer duplicidade de substâncias e aumento do risco de efeitos adversos.

O consumidor também deve evitar misturar medicamentos com bebidas alcoólicas, já que o álcool pode potencializar determinados efeitos colaterais e interferir na ação de alguns produtos.

Automedicação em crianças exige cuidado redobrado

Crianças não devem receber medicamentos simplesmente com base na dose utilizada por adultos.

A dosagem pediátrica pode depender de fatores como idade, peso e características individuais. Por isso, não é recomendado oferecer a uma criança parte de um comprimido destinado a adultos apenas para tentar adequar a quantidade.

A atenção deve ser ainda maior em crianças pequenas. Em alguns casos, os sintomas exigem avaliação profissional antes da administração de qualquer medicamento.

Tempo de uso também importa

Os MIPs são indicados principalmente para o alívio de sintomas passageiros. Quando a dor ou a febre persistem por mais de 48 horas, a recomendação é procurar avaliação médica para identificar a causa do problema.

A manutenção de sintomas por período prolongado pode indicar que não se trata de uma situação apropriada para simples tratamento com medicamentos de venda livre.

Automedicação também depende de armazenamento correto

As viagens e férias podem trazer outro risco: o armazenamento inadequado dos medicamentos.

Exposição ao calor, ao sol e à umidade pode comprometer determinados produtos. Por isso, é importante manter os medicamentos nas condições indicadas na embalagem e evitar deixá-los em locais excessivamente quentes, como dentro de veículos ou malas expostas diretamente ao sol.

Também não devem ser utilizados comprimidos ou outras apresentações que tenham apresentado mudanças de cor, textura ou cheiro, mesmo que ainda estejam dentro do prazo de validade.

Especialista defende uso consciente

A gerente de Qualidade da MedQuímica, Mariana Castro, reforça que o acesso a medicamentos isentos de prescrição deve vir acompanhado de educação sobre seu uso.

“A ampliação do acesso a MIPs é positiva para o sistema de saúde, desde que acompanhada de educação. O uso seguro inclui informação, leitura atenta da bula e respeito às orientações oficiais.”

Para a especialista, a automedicação responsável pode contribuir para o cuidado cotidiano, mas não substitui a identificação correta de doenças ou a avaliação de profissionais de saúde quando os sintomas indicam uma situação mais grave.

Quando automedicação não é suficiente?

Existem sinais que indicam que o uso de um MIP não deve ser a principal medida. Nesses casos, é importante procurar atendimento médico.

Entre as situações que exigem avaliação estão:

Dor intensa que impede atividades básicas;

Febre persistente por mais de 48 horas;

Falta de ar;

Reação alérgica com inchaço ou coceira generalizada;

Náuseas e vômitos contínuos;

Crianças com menos de 2 anos apresentando sintomas.

A presença desses sinais pode indicar um problema que exige investigação e tratamento específico.

Automedicação não substitui diagnóstico

O uso de MIPs pode ser útil para sintomas leves e passageiros, mas não deve ser encarado como substituto para acompanhamento médico.

Durante períodos de frio, férias e mudanças na rotina, a atenção com doses, combinações, armazenamento e duração do tratamento ajuda a reduzir riscos.

Assim, a automedicação pode fazer parte do cuidado cotidiano quando acompanhada de informação adequada, respeito às instruções dos fabricantes e atenção aos sinais que indicam a necessidade de buscar ajuda profissional.

Gabriel de Jesus

  • Publicado: 09/09/2026 22:01
  • Alterado: 09/09/2026 22:01
  • Autor: Gabriel de Jesus