Por que a Apple está processando a OpenAI, dona do ChatGPT? Entenda as acusações!
Apple acusa a OpenAI de usar ex-funcionários para roubar segredos comerciais sobre produtos não lançados
- Publicado: 21/07/2026 11:27
- Alterado: 21/07/2026 11:27
- Autor: Redação
- Fonte: Érica Oliveira/Plataformanet/TechCrunch, G1, Reuters
A Apple iniciou um processo judicial no último dia 10 (julho) contra a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT. A big tech fabricante do iPhone alega na ação que a rival se apropriou de informações confidenciais através de ex-funcionários. De acordo com as acusações da Apple, a empresa de inteligência artificial (IA) usaria esses segredos comerciais para acelerar a sua entrada no mercado de dispositivos eletrônicos.
O processo foi apresentado no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia e representa uma escalada significativa na tensão entre as duas empresas que já trabalharam em parceria e agora disputam espaço na corrida pela inteligência artificial.
O que a Apple acusa a OpenAI de ter feito?

O processo movido pela Apple envolve a OpenAI Foundation; a OpenAI Group PBC, sua divisão comercial; e a io Products, startup de hardware adquirida pela OpenAI. Dois ex-funcionários da Apple também são réus: Chang Liu, que atuava como engenheiro sênior de sistemas elétricos, e Tang Yew Tan, ex-vice-presidente de design de produtos do iPhone e do Apple Watch e que hoje é diretor de hardware da OpenAI.
A Apple afirma que o comportamento desses ex-funcionários faz parte de uma estratégia coordenada da OpenAI para obter sistematicamente informações sigilosas por meio de práticas de recrutamento e contato com fornecedores. Atualmente, mais de 400 ex-funcionários da Apple trabalham na OpenAI. Porém, a ação deixa claro que, embora isso não seja ilegal, usar as informações confidenciais que esses profissionais carregavam vai além do permitido.
No caso de Chang Liu, a Apple alega que ele deixou de devolver um notebook corporativo ao sair da empresa e posteriormente explorou uma falha no sistema de autenticação para acessar a rede interna da companhia. Por meio dessa falha, o ex-funcionário teria baixado dezenas de arquivos confidenciais relacionados a hardware, incluindo informações sobre produtos não lançados. A big tech também acusa Liu de ter compartilhado informações sigilosas com outros funcionários que estavam se candidatando a vagas na OpenAI, orientando pelo menos um deles sobre o que estudar antes das entrevistas.
Já Tang Tan é acusado de ter utilizado de forma sistemática informações internas da Apple em benefício da OpenAI antes mesmo de sair da empresa, ao enviar para si próprio por e-mail dados sobre fornecedores e análises internas do setor. Segundo a ação, Tan também teria incentivado candidatos a vagas na OpenAI a levar componentes da Apple para as entrevistas, em sessões descritas como “mostrar e contar” (show and tell). O processo cita um episódio em que um candidato teria dito que “nem sabia que podíamos pegar essas coisas do escritório”.
A Apple ainda diz que a OpenAI buscou informações confidenciais diretamente junto a fornecedores da empresa, fazendo perguntas técnicas específicas sobre processos de produção e componentes. Em um dos casos mencionados na ação judicial, a OpenAI teria convencido um parceiro comercial da Apple a realizar técnicas de acabamento em metal exclusivas da Apple em projetos da empresa de inteligência artificial, apesar de limitações contratuais.
Apple buscou solucionar a situação com a OpenAI antes de ir à Justiça
Na denúncia apresentada, a Apple argumentou que enviou uma carta à OpenAI em fevereiro deste ano (2026) relatando suas preocupações e pedindo para discutir o assunto, mas nunca obteve resposta. Somente então, decidiu recorrer à Justiça. No processo, a Apple pede uma ordem judicial para que a OpenAI pare de usar as informações obtidas de forma indevida e pague indenização financeira pelos danos causados. A empresa afirma ainda que o que foi revelado na ação é apenas “a ponta do iceberg”.
O que a OpenAI respondeu sobre as acusações?
A OpenAI negou as acusações em nota divulgada após a abertura do processo. A empresa de IA afirmou não ter “interesse nos segredos comerciais de outras empresas” e declarou estar focada “em construir tecnologia inovadora que capacite pessoas em todo o mundo”. A companhia ainda declarou que não tem conhecimento de evidências que sustentem as queixas apresentadas pela Apple. A OpenAI não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da imprensa sobre os detalhes das alegações.
De parceiras a rivais: a disputa pelo futuro dos dispositivos com IA
A tensão entre as empresas ocorre após alguns anos de parceria. Em 2024, a Apple integrou o ChatGPT ao iPhone por meio da Siri e permitiu que os usuários do iOS assinassem os planos pagos do chatbot diretamente pelas configurações do sistema.
Entretanto, agora, o processo surge em um momento estratégico para a OpenAI. Conhecida principalmente por seus modelos de linguagem e pelo ChatGPT, a empresa de IA vem demonstrando movimentos claros de expansão para o mercado de hardware, território historicamente dominado pela Apple com o iPhone. Ano passado (2025), a OpenAI adquiriu por US$ 6,5 bilhões a io Products, uma startup de hardware fundada por Jony Ive, ex-designer-chefe da Apple e responsável pelo visual do iPhone, do iPad e de outros produtos icônicos. Apesar da conexão com as empresas, Ive não foi mencionado como réu no processo.
Para analistas, a situação já começa a ter impacto antes mesmo de qualquer decisão judicial. A ação pode dificultar o recrutamento de ex-funcionários da Apple pela OpenAI e potencialmente atrasar o desenvolvimento do dispositivo de hardware da empresa.
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