Alta de fumantes no Brasil acende alerta para saúde pública
Brasil registra alta de fumantes e especialistas alertam sobre os riscos do cigarro, além de indicarem estratégias seguras para abandonar o hábito
- Publicado: 07/08/2026 11:10
- Alterado: 07/08/2026 11:11
- Autor: Daniela Penatti
O Brasil voltou a apresentar crescimento no número de pessoas que fumam após um longo período de redução nos índices de tabagismo. Dados preliminares da pesquisa Vigitel, sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, indicam que 11,6% da população adulta brasileira declarou consumir cigarro convencional em 2024. Em 2023, o índice era de 9,3%, representando uma elevação aproximada de 25%.
O avanço preocupa especialistas, principalmente diante da expansão dos dispositivos eletrônicos, que muitas vezes são apresentados de forma equivocada como opções menos prejudiciais. Alan Ricardo de Souza, coordenador do curso de Farmácia da Faculdade Anhanguera, explica que o tratamento da dependência de nicotina exige acompanhamento contínuo, combinando recursos farmacológicos, mudanças de comportamento e apoio emocional.
“O tabagismo é uma dependência química reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Muitas pessoas acreditam que abandonar o hábito depende apenas de força de vontade, mas o organismo desenvolve dependência física e psicológica da nicotina. Por isso, existem estratégias terapêuticas seguras e reconhecidas que ajudam a controlar os sintomas de abstinência e aumentam as chances de sucesso”, afirma.
Tratamento para abandonar o cigarro exige acompanhamento especializado

Segundo o especialista, o primeiro passo para quem deseja parar de fumar é buscar apoio profissional. Médicos, farmacêuticos e psicólogos podem auxiliar na escolha da melhor abordagem, considerando o nível de dependência e as necessidades individuais de cada paciente.
“O acompanhamento ajuda a controlar sintomas como ansiedade e irritabilidade, além de reduzir os riscos de recaída. O tratamento precisa ser personalizado para cada pessoa”, destaca Souza.
Entre as alternativas utilizadas estão as terapias de reposição de nicotina, disponíveis em formatos como adesivos, gomas de mascar e pastilhas. Esses recursos oferecem doses controladas da substância ao organismo, sem a exposição às milhares de compostos tóxicos presentes no consumo tradicional.
“O uso deve ser orientado por profissionais habilitados, pois a aplicação inadequada pode prejudicar os resultados. O objetivo é diminuir gradualmente a dependência química e aliviar os sintomas da abstinência”, explica o coordenador.
Dispositivos eletrônicos não são solução para abandonar o cigarro

Apesar de algumas pessoas recorrerem aos aparelhos eletrônicos como tentativa de interromper o consumo tradicional, especialistas alertam que eles não são considerados métodos seguros para cessação do tabagismo.
Além de manterem a dependência da nicotina, esses dispositivos podem liberar substâncias prejudiciais e estão associados a riscos para a saúde pulmonar e cardiovascular. A comercialização desses produtos continua proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil.
Mudanças de rotina ajudam no processo de abandono
A interrupção do tabagismo também envolve fatores comportamentais. Identificar situações que estimulam a vontade de fumar é uma etapa importante para evitar recaídas.
Souza explica que o consumo muitas vezes está ligado a ações automáticas do dia a dia, como tomar café, dirigir ou enfrentar momentos de estresse. Reconhecer esses gatilhos permite criar novas estratégias para lidar com essas situações.
O especialista reforça ainda que recaídas podem fazer parte do processo e não devem ser vistas como fracasso. Muitas pessoas precisam de diferentes tentativas até conseguir interromper definitivamente o hábito.
“O mais importante é continuar buscando ajuda profissional. Cada tentativa traz aprendizado e aproxima o paciente do objetivo final”, conclui.