Data: 12/03/2020 10:16 / Autor: Redação / Fonte: UFSCar

UFSCar desenvolve adaptações em barco a remo para atleta paralímpico

Com novo equipamento, Renê Pereira foi classificado para os Jogos Paralímpicos de 2020, no Japão


O Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologia Assistiva (NTA) do Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveu o projeto de adaptação de um barco a remo para o paratleta Renê Pereira, bicampeão sul-americano. O equipamento adaptado buscou atender as necessidades ergonômicas do atleta na atividade de remar, melhorando o seu rendimento. Com isso, Pereira, que possui paralisia de membros inferiores, conquistou, utilizando o novo barco, medalha na Copa do Mundo de Remo e se classificou para os Jogos Paralímpicos de 2020, em Tóquio, no Japão.

O projeto foi solicitado e realizado em parceria com a empresa Conforpés, de Sorocaba, que atua no ramo de produção e distribuição de próteses e produtos assistivos. Cleyton Fernandes Ferrarini, professor do Departamento de Engenharia de Produção (DEP-So) do Campus Sorocaba e coordenador do NTA/UFSCar, explica que o equipamento utilizado anteriormente por Renê Pereira apresentava alguns problemas, prejudicando o seu desempenho. "A estabilização dos membros inferiores do atleta foi apresentada como a necessidade primordial para aprimoramento de sua performance. Ao remar, ocorriam movimentos involuntários das pernas que levavam ao desequilíbrio e a consequentes perdas energéticas para retomar o equilíbrio. Também foram identificadas as necessidades de adaptações de equipamentos que compõem o 'cockpit' do barco", destaca Ferrarini.

No novo projeto foram trabalhados a estrutura para estabilização das pernas, encosto, assento e finca-pé. O desenvolvimento do barco a remo adaptado ocorreu no período de abril a outubro de 2019, junto a terapeutas ocupacionais e técnicos da Conforpés. "A equipe realizou a identificação de requisitos do produto por meio de entrevistas com o atleta, seu treinador e integrantes do staff da Confederação Brasileira de Remo [CBR]. Posteriormente, foram discutidas e definidas alternativas projetuais para aprimoramento da performance. Na sequência, os protótipos foram produzidos e testados pelo atleta e sua equipe na raia da Cidade Universitária da Universidade de São Paulo [USP], o que levou a ajustes e novos testes", detalha Miguel A. A. Borrás, também professor do DEP-So e integrante do NTA/UFSCar.

O barco a remo olímpico é composto pelo casco, geralmente constituído por fibra de carbono, fibra de vidro e resina epóxi. Nele há o espaço reservado para acomodação de um (ou mais) remadores denominado "cockpit", onde se encontram o encosto, o assento e o finca-pé. Fixadas nas laterais do barco ficam as braçadeiras que apoiam os remos. Segundo Plínio César Marins, técnico do NTA/UFSCar, a principal diferença entre um barco a remo padrão e o adaptado está na obrigatoriedade de uso de cintos de segurança para tórax e pernas do paratleta. "Encosto, assento e finca-pé podem ser customizados de acordo com a necessidade do paratleta, porém submetidos à aprovação por comitê julgador das provas", completa. Ele explica que "o assento anatômico em fibra de carbono foi customizado para Renê; porém o encosto, finca-pé e estrutura para estabilização das pernas podem ser utilizados também por outros atletas".

Renê Pereira utilizou o novo barco em duas etapas da Copa do Mundo de Remo, conquistando medalha de prata em Roterdã, na Holanda, em julho de 2019, e o quinto lugar na etapa de Linz Ottensheim, na Áustria, em setembro. Com isso, garantiu sua vaga nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, no Japão, que ocorrem de 25 de agosto e 6 de setembro de 2020. No final do ano passado, ele também foi premiado como o melhor atleta de Remo do Brasil na edição do Prêmio Paralímpicos 2019, evento promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Paratleta Renê Pereira com integrantes do NTA/UFSCar e CBR
Paratleta Renê Pereira com integrantes do NTA/UFSCar e CBR

Crédito: Divulgação

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