Data: 09/04/2021 17:17 - Alterado em: 03/05/2021 15:12 / Autor: Redação / Fonte: Itaú Cultural

Programação virtual Cena Agora do Itaú Cultural

Em maio, Encruzilhada Nordeste(s) retoma o Palco Virtual de teatro, com peça e cenas curtas sobre um Nordeste expandido


Coletivo de Teatro Alfenim
Coletivo de Teatro Alfenim

Crédito: Alessandro Potter

De 6 a 9 de maio (quinta-feira a domingo), o Itaú Cultural apresenta, no Palco Virtual, mais um recorte da programação Cena Agora – Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas, que até o final do mês conta com outros dois finais de semana para apresentações de cenas de no máximo 15 minutos, questionando construções estereotipadas ou colonizadas das identidades nordestinas. Depois da estreia, em abril, agora os grupos convidados levam virtualmente à cena reflexões sobre uma região que se expande a partir da migração para outros territórios, dentro e fora do país, e de lá lançam novos olhares sobre a região.

Todas as atividades acontecem às 20h pela plataforma Zoom e são seguidas por conversas dos elencos com críticos e artistas convidados. Gratuitos, os ingressos devem ser reservados via Sympla. Para mais informações, basta acessar www.itaucultural.org.br.

A programação começa às 20h da quinta-feira, dia 6, com o Estopô Balaio – grupo paulista sediado na Zona Leste da capital de São Paulo, mas em cujo DNA há memórias e referências de artistas do Rio Grande do Norte integrantes da trupe. Eles apresentam EX-NE - O Sumiço, um recorte de pesquisa e experimentações de cenas on-line para o espetáculo EX-NORDESTINES*, previsto para estrear ainda em 2021. A montagem parte da premissa de que o Nordeste sumiu do mapa do Brasil e apenas quatro pessoas se dão conta disso.

O mapa do Brasil não apresenta mais os estados que compõem a região. A história já não guarda palavras sobre o território que sumiu. O que pode ter acontecido? O Nordeste de fato existiu? O que é o Nordeste? O dispositivo abre discussões como a invisibilização de nações indígenas que compõem a região, sobre a naturalização de erros exploratórios repetidos e sobre a racialização do nordestino. Diante de inúmeros e históricos ataques, pergunta-se até que ponto se sabe que o Nordeste é uma invenção com fins políticos, econômicos e sociais. Ao final da apresentação, a diretora Quitéria Kelly, o dramaturgo Henrique Fontes e o elenco conversam com as críticas de teatro Ivana Moura e Pollyanna Diniz, do site de crítica teatral Satisfeita, Yolanda?

Tempo e lugar

Ao longo do final de semana, diferentes olhares, críticas e percepções sobre a região, seja em um tempo real ou imaginário, seguem conduzindo as apresentações. A cada noite, sempre a partir das 20h, o público assiste a duas cenas de no máximo 15 minutos, cada, e depois participa de um bate-papo com os elencos e críticos convidados.

Na sexta-feira, dia 7, a noite abre com Prisioneiro do Reggae, do grupo alagoano Clowns de Quinta, que pesquisa a linguagem da palhaçaria e técnicas circenses. A cena coloca no centro do debate o reggae policial, uma variação deste gênero musical surgido em Alagoas antes mesmo das fanfics interneteiras – histórias recriadas a partir de um conteúdo original – tomarem conta das redes sociais. Era ele que dominava as discussões na capital. Agora, quatro jovens alagoanos se colocam em um debate sobre um misterioso caso que está ao redor desse tipo de música.

Na sequência, o Coletivo de Teatro Alfenim, da Paraíba, apresenta Pequeno Inventário das Afinidades Nordestinas, com fragmentos de memória e impressões cotidianas de seus integrantes para tecer um breve comentário poético e crítico sobre as afinidades nordestinas. A cena dirigida por Márcio Marciano e Murilo Franco parte da indagação a respeito do que os assemelha e diferencia para inventariar sentidos, ideias, contradições e afetos que compõem uma visão múltipla e diversa do Nordeste.

Ao final das duas apresentações os elencos e diretores se juntam à plateia virtual para uma conversa sobre o que foi exibido. O bate-papo é mais uma vez mediado pelas críticas Ivana Moura e Pollyanna Diniz.

Reconstrução

No sábado, dia 8, a programação traz duas cenas que repensam o Nordeste como território e como uma região que viu personagens seus varridos da história. Neste dia, assim como no domingo, a conversa com os grupos após a exibição é mediada pelo ator e diretor Jhoao Junnior.

Fazer renascer uma história e um povo é o mote de Remundados, obra do grupo sergipano Boca de Cena criada virtualmente para a programação a partir do texto homônimo do dramaturgo mineiro Raysner de Paula, escrito especialmente para o grupo em 2019. A proposta é “remundar”, lançar no mundo semente dos existires de gentes varridas da história, onde povos dessa pequena multidão podem renascer. Permanecer, existir e resistir são palavras-chave. Nesse cenário, quatro refugiados vindos cada um de um lugar que não existe mais, partem sem rumo em uma história contaminada pela realidade do mundo atual. Eles se propõem a 'remundar' o aqui e agora, tendo como gatilho a gentileza.

Por sua vez, o elenco da Casa de Zoé, do Rio Grande do Norte, questiona o que é o Nordeste em Encontros, NÉ? Sem chegar a uma resposta para a pergunta e vendo dificuldades em traçar as fronteiras e a localização da região, a cena joga com a ideia de que não se sabe ao certo onde fica o Nordeste, mas muitos juram que existe. Assim, seguem tentando entender e encontrar a região. Acreditam que até o final irão descobrir, assim como um dia aconteceu com o Brasil.

Subjetivo

A última noite deste segundo recorte do Cena Agora – Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas expande e aprofunda o olhar questionador e migratório sobre a região, apresentando no domingo, dia 9, cenas que partem de uma perspectiva de fora para dentro.

Os maranhenses Brenna Maria e Ywira Ka’i, que atualmente moram na zona rural de São Luís, apresentam Você já Sangrou Hoje? no qual colocam no centro da discussão o que se pega e usa como bem entender, mas sem cuidar ou se importar se um dia vai acabar. Destacam a frase de Dona Joana, que, vivendo da terra na cidade de São João Batista, gerou nove filhos: “Tudo que é usado em demasia acaba”. Assim, fazem uma analogia com a terra, vista como sagrada e que também jorra sangue de suas entranhas. Alertam para se ter cuidado no que se mexe: “pois eu avanço ao som de trovões cortando gargantas.”

Por fim, a Cia. Tijolo – criada e sediada em São Paulo, trazendo em sua essência, entre outras, referências culturais paulistas e pernambucanas – entra em cena com O Outro Nome da Amizade. A atriz Karen Menatti e os atores Dinho Lima Flor e Rodrigo Mercadante – o trio também assina a direção – evocam personagens de espetáculos anteriores, para junto com amigas, camaradas e companheiros pensar o tempo, a vida, os homens e mulheres presentes. É o caso do arcebispo Dom Helder Câmara, da freira, filósofa e teóloga feminista Ivone Gebara, do educador e filósofo Paulo Freire e do poeta Patativa do Assaré, que percorrem encruzilhadas da cidade de concreto, condenada a nunca adormecer

Próximas cenas

O recorte Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas da programação Cena Agora conta, ainda, com mais duas séries de apresentações durante este mês, sempre de quinta-feira a domingo. Fechando o périplo pelo Nordeste, a atividade, que teve início em abril, terá recebido até o final 28 grupos teatrais de toda a região, assim como do Norte e do Sudeste que trazem esse olhar em sua essência.

De 20 a 23 de maio, passam pelo Palco Virtual do Cena Agora – Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas o grupo piauiense Canteiro Teresina, os pernambucanos Magiluth e O Poste, o cearense Grupo Ninho, o baiano Teatro dos Novos e o ator Zé Wendel, da Paraíba. Esta semana recebe, ainda, uma conversa entre a jornalista e atriz pernambucana Ademara Barros e a produtora e também jornalista baiana Val Benvindo.

Na semana seguinte, de 27 a 30, o recorte final apresenta a atriz cearense Jessica Teixeira e a alagoana Kika Senna, a Pandêmica Coletivo Temporário de Criação, do diretor Juracy de Oliveira, do Ceará, e o ator Silveiro Pereira, também cearense. A programação ainda se expande para além-fronteiras das capitais, com a participação da Cia. Pão Doce, de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e da Cia Biruta, da cidade pernambucana de Petrolina, assim como sai do país, com a performer sergipana Maicyra Leão, que mora na Alemanha, e também ultrapassa a região, com Fabiano de Barros e sua Cia Fiasco, de Rondônia.

Os olhares ampliados, com uma abrangência tanto do Nordeste quanto para além da região, estarão presentes nos debates. As duas últimas semanas de maio contam com a participação de diretores e gestores culturais na mediação, como Jorge Alencar, da Bahia, de onde também vem Onisajé, que é da cidade de Alagoinhas, o amazonense Francis Madson, a acreana Karla Martins e o paulista Rodrigo Mercadante.

A programação teve início em abril, com um primeiro recorte do Encruzilhada Nordeste(s). Ao longo de quatro dias, o público acompanhou a mesa de abertura, que reuniu o historiador Durval Muniz de Albuquerque Jr., autor do livro A invenção do Nordeste e outras artes, e Galiana Brasil, gerente do Núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural, e assistiu, ainda, a seis cenas apresentadas: Onan Yá – A caminhada da sacerdotisa, da diretora teatral e dramaturga baiana Onisajé, O Desaparecimento do Jangadeiro Jacaré em Alcácer-Quibir, do cearense No barraco da Constância tem!, Rhizophora – Estudo nº 01, do Coletivo de Dança-teatro Agridoce, de Pernambuco, Boca, dos maranhenses Erivelto Viana e Urias de Oliveira, Web-Strips: Volume Encruzilhadas, do grupo baiano Dimenti, e o Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte, sobre recorrências do senso comum em relação ao fluxo dos nordestinos para o sudeste.

SERVIÇO:?

Cena Agora – Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas

Semana 2:

De 6 a 9 de maio (quinta-feira a domingo), sempre às 20h

No site do Itaú Cultural:?www.itaucultural.org.br?

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