Data: 05/11/2020 10:31 - Alterado em: 01/03/2021 11:43 / Autor: Redação / Fonte: Itaú Cultural

Programação do Palco Virtual do Itaú Cultural

Identidades negra e indígena são tema do Palco Virtual de cênicas com leituras e espetáculos em construção de teatro e dança


Negra Palavra
Negra Palavra

Crédito: Renato Farias

O Itaú Cultural abre a programação Palco Virtual de março com uma série de apresentações de teatro e dança do dia 4 ao dia 7 (quinta-feira a domingo), guiada pela temática identitária. Mantendo a proposta de dar luz à dramaturgia brasileira em trabalhos que estão sendo construídos, apresenta as leituras inéditas de Sob o Céu de Paris, da premiada dramaturga Gabriela Rabelo, na qual quatrocentões brancos têm que lidar com o racismo a partir da neta negra, e Amora Paulada, com texto e direção de Renato Gama sobre as masculinidades, afetividades, paternidades e subjetividades do homem negro de meia idade. 

Por sua vez, a Companhia de Teatro Íntimo e o Coletivo Preto apresentam Negra Palavra | Solano Trindade, em cima da vida e obra do poeta pernambucano que dá nome ao espetáculo. Uma dobradinha de dança fecha a programação com o curta-metragem Baobá, sobre a identidade étnica que está por trás da construção de cada ser, e o espetáculo Arreia, com as tradições indígenas na manifestação folclórica do Caboclinho. 

Estas apresentações do Palco virtual acontecem sempre às 20h pela plataforma Zoom, e são seguidas por bate-papo com os elencos. Os ingressos podem ser reservados via Sympla. Para mais informações, basta acessar o site do IC: www.itaucultural.org.br

Leituras

As leituras ao vivo marcam presença nos dois primeiros dias da programação, que abre no dia 4 de março (quinta-feira) com Sob o Céu de Paris. No texto de Gabriela – primeira mulher a receber, em 2013, o prêmio de Melhor Dramaturgia em Língua Portuguesa pelo Instituto Camões e Funarte, com a obra Luiz Gama ou O Diabo Coxo –, os ex-quatrocentões e já idosos Ivan e Ana Angélica moram em um apartamento em um prédio hoje decadente próximo ao Minhocão, em São Paulo. Roberto, filho único do casal, com o qual divergem em inúmeros assuntos, é pai de Cecília, filha de um amor de juventude dele com uma mulher negra, que morreu no parto. 

Criando a neta, Ivan e Ana Angélica aprenderam um pouco sobre o alcance do preconceito racial, mas ao se depararem com um corpo humano morto no meio de um feriado prolongado, eles têm de enfrentar problemas mal resolvidos do passado e do presente. Assim, recorrem a calendários e anotações de fatos importantes ocorridos tempos atrás, entre os quais antigas lembranças de Paris, que sobrevoam os personagens como um paraíso perdido. 

Na sexta-feira, dia 5, Gama dirige a primeira leitura de Amora Paulada, texto de sua autoria. Nele, Amora Paulada, Zeca e Marvin (Lesgueron) – interpretados, respectivamente, pelos atores Oswaldo Faustino, Almir Rosa e Andrio Candido, integrantes do coletivo Bola de Meia – são três homens desconhecidos que se encontram em um parque público, ao levarem suas crianças para brincar. Lá, eles acabam dividindo dores, alegrias, aflições e projetos, criando uma relação de afeto, que desagua em um baile “esporte-chic”. 

Trazendo humor e delicadeza na ambientação leve e lúdica do parque, a proposta do diretor é apreciar as subjetividades do homem negro de meia idade. A peça exalta a sabedoria griot herdada de uma ancestralidade africana presente nos diálogos das periferias brasileiras por meio do futebol de várzea, dos bailes blacks, das rodas de samba e da poesia que emancipa esses territórios. 

Espetáculos

No sábado, dia 6, o Palco Virtual apresenta, online e ao vivo, o espetáculo Negra Palavra | Solano Trindade, um olhar sobre a obra do poeta pernambucano. Levado à cena adaptada ao formato online pelos elencos da Companhia de Teatro Íntimo e do Coletivo Negro, a peça vai na contramão dos estereótipos criados para objetificar e discriminar os homens negros e recupera a trajetória de Solano Trindade (1908-1974), trazendo as múltiplas vivências do escritor, a poesia, o corpo negro, a militância, a potência e o amor. 

O espetáculo retrata a infância de Trindade em Pernambuco, permeada pela sonoridade das feiras populares e pela ancestralidade do maracatu, e sua militância em diversas cidades do Brasil, como cidadão negro em um país racista, lutando pela paz e contra a fome. Traz, ainda, sua experiência como um homem entregue ao amor e ao cuidado da família e entrelaça corpo, música e poesia para representar tanto a história do poeta em seu tempo, como a dos homens negros contemporâneos. 

Coreografias

Uma dupla programação de dança fecha, no domingo, dia 7, esta primeira semana do Palco Virtual em março. As produções, ambas gravadas, seguem pela temática de identidade. 

A primeira a ser exibida é Baobá, curta-metragem de Romulo Santos, com os bailarinos Fabiana Balduíno, Kalebe Lizan, Tauane Lyz e Thiago Augusto. Partindo da ideia de que existe história mesmo em lugares distantes do centro das cidades, longe dos prédios e das grandes e monumentais construções, a produção mostra que, assim como uma árvore, o que sustenta as capitais é a parte que não se vê na superfície. 

A partir dessa reflexão, o curta faz uma analogia com a árvore do baobá, na qual, quando se olha para a parte mais alta, na verdade, se vê as suas raízes, que constroem o que quase ninguém vê. Da mesma forma, por trás do ser existe fé, conflito, revolta, proteção e coragem para resistir. 

Na sequência, o público assiste à coreografia Arreia. Criada na pandemia pelas artistas Íris Campos e Iara Campos, em formato online, tem direção de Paulinho 7 Flexas, a produção percorre o imaginário das representações da dança folclórica do Caboclinho. O enredo constrói a relação entre as tradições indígenas sobre o universo dos sonhos, a criação do Caboclinho 7 Flexas do Recife e a relação afetiva das artistas com a agremiação.

Arreia se ancora na ancestralidade indígena do tronco familiar de Íris, Iara e Paulinho têm em seu, construindo uma narrativa para honrar seus antepassados. A apresentação aborda a resistência dos povos originários em contexto urbano e aponta reflexões para um futuro indígena inserido em novos conceitos de preservação e manutenção de suas culturas.

SERVIÇO:

Palco Virtual – Cênicas

De 4 a 7 de março (quinta-feira a domingo), sempre às 20h

No site do Itaú Cultural:?www.itaucultural.org.br

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