Data: 25/01/2022 10:53 - Alterado em: 24/05/2022 14:56 / Autor: Redação / Fonte: Itaú Cultural

Programação Itaú Cultural Play

Democracia brasileira e homenagem a Denoy de Oliveira são temas das novas mostras na Itaú Cultural Play


O exercício da democracia, uma das principais pautas das eleições federal e estadual deste ano no país, é o tema principal de uma das duas mostras que a plataforma de streaming do cinema e audiovisual brasileiro, Itaú Cultural Play disponibiliza a partir da sexta-feira, dia 27, em www.itauculturalplay.com.br. Entre documentários e ficções, histórias de paixão, debate, ética, convencimento e esperança para os brasileiros, doze títulos revelam como o assunto foi visto pelo cinema brasileiro ao longo de sete décadas. A curadoria é do pesquisador e crítico Carlos Alberto Mattos. Na outra mostra, o público confere quatro comédias de Denoy de Oliveira (1933-1998), cineasta, ator e dramaturgo paraense que atuou na cena cultural de São Paulo, e é conhecido por filmes em que o humor se junta à crítica social.

Na mostra Viva a Democracia, o curta-documental Maranhão 66 (1966) é considerado pela crítica como um dos mais importantes filmes da década de 60. A produção foi encomendada pela equipe de publicidade de José Sarney ao produtor Luiz Carlos Barreto que, por sua vez, convidou Glauber Rocha e Fernando Duarte para dirigirem o filme. O objetivo era documentar a sua candidatura a governador do Maranhão, em eleições indiretas das quais saiu vitorioso, e a sua posse dois anos após o golpe que instaurou a ditadura civil-militar no Brasil. Ao discurso do político eleito, opõem-se imagens de problemas crônicos da região, como a pobreza.

Seguindo pela época da ditadura, o documentário Pinto vem aí (1977), de Olney São Paulo, conta como foram os preparativos na cidade de Feira de Santana, na Bahia, para receber o ex-deputado Francisco Pinto. Cassado e preso pela ditadura brasileira por discursar contra Augusto Pinochet, ditador chileno, ele retorna à cidade baiana aos gritos de “Pinto vem aí!”, representando a oposição nas futuras eleições.

Braços cruzados, máquinas paradas (1979), de Sergio Toledo Segall e Roberto Gervitz, mostra o princípio de uma grande mudança estrutural no movimento operário no país, prestes a entrar na década de 1980. Começava a ser desenhar um processo de abertura política e o começo de greves e manifestações sociais. Em 1979, três chapas concorriam à direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, um dos maiores da América Latina. Aos poucos, a estrutura sindical do país, as relações entre governo e empresariado, e o descontentamento geral passaram a movimentar uma população que exigia melhores condições de trabalho, liberdade e direito ao voto direto.

Com direção de Jorge Bodanzky e Wolf Gauer, Terceiro milênio (1980) documenta a trajetória do senador Evandro Carreira pela região do Alto Solimões, na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. Com o objetivo de percorrer bases eleitorais e discutir questões relacionadas ao meio-ambiente, o político expõe o abandono vivido pelas comunidades indígenas da região. No trajeto, são ouvidos indígenas, madeireiros, sertanistas e representantes da Funai.

Entrando no período democrático do país, o documentário Entreatos (2004), o cineasta João Moreira Salles mostra os bastidores da quarta campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência, que culminou em sua vitória nas eleições de 2002. Com registros exclusivos do então candidato ao Palácio do Planalto, o documentário revela o cotidiano da campanha presidencial.

Documentário sobre o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco, Sementes –Mulheres pretas no poder (2000), das cineastas Éthel Oliveira e Júlia Mariano, mostra a batalha delas em suas candidaturas políticas no Rio de Janeiro. Com poucos recursos e lutando contra o preconceito em um ambiente machista e elitista, as candidatas mostram como é possível transformar o luto em luta.

Esta mostra é completada por Doces poderes (1995), de Lúcia Murat, Vocação do poder (2005), de Eduardo Escorel e José Joffily, Gretchen – Filme de Estrada (2009), de Eliane Brum e Paschoal Samora, A cidade é uma só? (2013), de Adirley Queirós, Eleições (2018), de Alice Riff, e Camocim (2018), de Quentin Delaroche.

Mostra Denoy de Oliveira

Paraense atuante na cena cultural de São Paulo, morto em 1988, o cineasta, ator e dramaturgo é conhecido principalmente por filmes em que o humor se junta à crítica social de suas obras. Quatro de seus principais filmes compõem a mostra a ser exibida na Itaú Cultural Play.

Entre os destaques, Amante muito louca, de 1973, filme que marca a sua estreia como cineasta. Com Jô Soares no elenco, mostra os costumes da classe média brasileira dos anos de 1970 e faz sátiras ao machismo e à hipocrisia dos valores tradicionais. O filme conta a história de Amâncio, um gerente de câmbio bem-sucedido, casado e que vive um relacionamento paralelo. Nas férias de sua família em uma praia em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, a amante resolve se unir a eles e o inesperado acontece.

Vale destacar, também, O baiano fantasma, premiado em 1984 no Festival de Gramado. O ator José Dumont é o protagonista dessa comédia, que dialoga com os filmes de Mazzaropi e se desenvolve a partir da chegada de um imigrante nordestino a São Paulo, com a esperança de mudar de vida. Aos poucos, a metrópole paulistana vai lhe oferecendo oportunidades de trabalho, como um emprego de cobrador de dívidas para uma truculenta quadrilha de agiotas.

A seleção é completada por mais uma obra de comédia J.J.J, o amigo do super-homem (1978) e o drama A grande noitada (1995).

SERVIÇO:

Itaú Cultural Play — novos lançamentos

27 de maio de 2022 (sexta-feira)

Em www.itauculturalplay.com.br

Mostra Viva a Democracia

Maranhão 66

Documentário, 1966

De Glauber Rocha e Fernando Duarte

Duração: 11 minutos

Classificação indicativa: 10 anos (violência)

Pinto vem aí

Documentário, 1977

De Olney São Paulo

Duração: 25 minutos

Classificação indicativa: 12 anos (drogas lícitas, medo)

Braços cruzados, máquinas paradas

Documentário, 1979

De Sergio Toledo Segall e Roberto Gervitz

Duração: 76 minutos

Classificação indicativa: livre

Terceiro milênio

Documentário, 1980

De Jorge Bodanzky e Wolf Gauer

Duração: 90 minutos

Classificação indicativa: livre

Doces poderes

Drama, 1995

De Lúcia Murat

Duração: 100 minutos

Classificação indicativa: 16 anos (cenas de sexo)

Entreatos

Documentário, 2004

De João Moreira Salles

Duração: 117 minutos

Classificação indicativa: livre

Vocação do poder

Documentário, 2005

De Eduardo Escorel e José Joffily

Duração: 100 minutos

CLASSIFICAÇÃO indicativa: 12 anos (exposição de cadáver)

Gretchen - Filme de Estrada

Documentário, 2009

De Eliane Brum e Paschoal Samora

Duração 90 minutos

Classificação indicativa: 12 anos (droga lícita, ato criminoso, conteúdo sexual)

A cidade é uma só?

Documentário, 2013

De Adirley Queirós

Duração: 79 minutos

Classificação indicativa: 10 anos (linguagem Imprópria)

Eleições

Documentário, 2018

De Alice Riff

Duração: 100 minutos

Classificação indicativa: 12 anos (linguagem imprópria)

Camocim

Documentário, 2018

De Quentin Delaroche

Duração: 76 minutos

Classificação indicativa: 12 anos (drogas lícitas, linguagem imprópria)

Sementes – Mulheres pretas no poder

Documentário, 2020

De Éthel Oliveira e Júlia Mariano

Duração: 105 minutos

Classificação indicativa: 12 anos (violência e temas sensíveis)

Mostra Denoy de Oliveira

Amante muito louca

Comédia, 1973

Duração: 97 minutos

Classificação indicativa: 16 anos (nudez, drogas lícitas, agressão física, insinuação sexual)

J.J.J, O amigo do super-homem

Comédia, 1978

Duração: 75 minutos

Classificação indicativa: 12 anos (droga lícita e violência)

O baiano fantasma

Comédia, 1984

Duração: 98 minutos

Classificação indicativa: 14 anos (Nudez, drogas lícitas, agressão física e verbal)

A grande noitada

Drama, 1995

Duração: 98 minutos

Classificação indicativa: 16 anos (Nudez, violência, linguagem chula)

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