Data: 05/07/2022 11:59 / Autor: Redação / Fonte: CASACOR

Com a natureza como inspiração, ambiente marca a participação da Plantar Ideias na CASACOR

Projeto arrojado do escritório de arquitetura explora a sensorialidade dentro de um espaço onde a natureza e a tecnologia se mesclam em harmonia


Felipe Stracci e Luciana Pitombo, dupla de arquitetos responsáveis pela Plantar Ideias, propõem diversas ideias aplicáveis em ambiente imersivo na 35ª edição da CASACOR
Felipe Stracci e Luciana Pitombo, dupla de arquitetos responsáveis pela Plantar Ideias, propõem diversas ideias aplicáveis em ambiente imersivo na 35ª edição da CASACOR

Crédito: Salvador Cordaro

O espaço idealizado pelo escritório de arquitetura e paisagismo Plantar Ideias é a prova de como é possível criar ambientes que façam releitura de uma paisagem natural dentro de um espaço edificado e urbano. Por isso, quem se inspirar no ambiente criado para CASACOR São Paulo 2022, que acontece na Avenida Paulista, coração da metrópole paulistana, terá inúmeras ideias replicáveis, como terrários, biombos, móveis e a técnica de instalação de pisos, iluminação e muito mais. Para recriar o ar natural, topografias foram empregadas em MDF cortado em CNC, aplicadas sobre um piso que remete aos pátios de antigas casas com maxi-cacos de cerâmica e cimento queimado. A paleta de cores do ambiente projetado por Felipe Stracci e Luciana Pitombo é composta por tons terrosos e um Sol recriado com vidro furta-cor.

Nomeado como Sol:.Ar, o espaço da Plantar Ideias cria uma grande praça, como um pátio, que receberá os visitantes em 170m² e se conecta a outras sete áreas do evento, atuando como um ponto central de recepção e acolhimento do público visitante.

Imersos na temática da CASACOR desse ano, pautada na conjectura do ‘Infinito Particular’, os profissionais explicam que o conceito e a inspiração para o projeto exposto na 35ª edição “se revelam pela leveza, harmonia e tropicalidade que a natureza, em suas distintas formas, pode promover em cada um de nós, assim como a busca por experiências mais sutis e delicadas de uma paisagem que expressa a biodiversidade e são integradas com elementos das artes plásticas”. Os profissionais trouxeram para o espaço uma série de elementos naturais como palhas, cerâmica, vegetação propriamente dita, areia, entre outros elementos que remetem à natureza, mas de uma forma afetiva.

Uma das propostas do local é provocar, em quem estiver nele, uma experiência sensorial por meio do estímulo aos nossos sentidos: o paladar, pelo delicioso café oferecido pela Starbucks®; o olfato, através das folhas de eucalipto seco nos canteiros que foram dispostos para aromatizar o ambiente; o tato, com peças de palha; e visão, pela composição harmônica no ambiente e de peças belíssimas e autorais, como o sol sintético em furta-cor que ilumina todo o espaço e o biombo orgânico de MDF, inspirado na obra “Os bichos”, da escultura brasileira Lygia Clark.

Veteranos da CASACOR, Felipe e Luciana – que já participaram das edições paulistas de 2017, 2018, 2019 e 2020 –, detalham a essência do projeto que construíram explorando a riqueza o e requinte nos detalhes: “Buscamos traduzir os elementos, concepção e experiências que mais influenciam nosso trabalho como a leveza e sutileza da iluminação que ganha a potência de elemento físico com um grande sol espelhado projetando um espectro de luz alaranjado banhando o espaço por completo, em uma influência direta que idealizamos por meio do trabalho realizado pelo artista islandês-dinamarquês Olafur Eliasson”, especificam os profissionais sobre a peça solar instalada no ambiente.

O olhar dos arquitetos para a estética das artes plásticas também contempla a influência de Lygia Clark com sua série de obras denominadas ‘Bichos’, estruturas instáveis que questionam a certeza física. “As peças se encaixam de diferentes formas e o resultado da montagem é único, orgânico e cria uma paisagem lúdica que completa a paisagem do Sol:.Ar”, explanam os arquitetos sobre outro destaque primoroso do projeto: o biombo orgânico que também nos remete a Monstera deliciosa, espécie de planta conhecida popularmente como Costela-de-Adão.

Não obstante, as homenagens e honrarias a ícones das artes plásticas, o trabalho autoral da Plantar está em cada centímetro do projeto, que apresenta móveis originais. “Praticamente todos os mobiliários são assinados por nós e fazem parte das coleções que lançamos com foco em peças de áreas externas”, explicam os profissionais que igualmente se inspiraram nos projetos arquitetônicos de varandas e quintais antigos para compor o espaço. 

Reafirmando a veia dos profissionais como designers para a cena da vida outdoor, a Linha Trópicos, que está no ambiente com peças desenhadas exclusivamente para essa edição da CASACOR, é confeccionada com a mistura de cimento pré-fabricado e fibras naturais da bananeira trançadas artesanalmente. As peças não acumulam água, são resistentes às intempéries climáticas e ideais ambientes externos. Os já conhecidos Bichos da Serrinha, inspirados na fauna da Mata Atlântica e lançados na SP-Arte 2020, também marcam presença. Produzidos com metal e pintura eletrostática, eles são “mobiliários inspirados na arte indígena que, de maneira lúdica, remetem aos bichos da mata atlântica como o Ouriço, o Tamanduá-mirim, o Bugio e o Tucano-mirim”, descrevem os arquitetos sobre o mobiliário que foram colocadas singularmente no Sol:.Ar.

Intuindo ser um ponto de descompressão para o público que visitará a mostra, além de uma arquibancada montada com uma chapa inédita da Duratex e espaço para recarregar o celular, em adição à arte arquitetônica, o espaço irá expor um mural com mais de vinte metros de extensão confeccionado pelo artista congolês Lavi Israël, executado com tintas Coral.

Além de todo o requinte artístico e conceitual, o espaço Sol:.Ar levantará outra questão preciosíssima ao escritório Plantar Ideias: a responsabilidade para com a natureza e as questões ligadas ao meio ambiente. “O revestimento do piso cerâmico-orgânico será utilizado em sua integralidade, onde os cacos e caquinhos do piso serão também aplicados, assim como resíduos industriais do processo, resultando em zero desperdício do material produzido”,  esclarecem Felipe e Luciana, que também propuseram uma maneira de reutilizar tudo o que foi feito no espaço, através da construção modular e a seco, permitindo o uso de peças modulares replicáveis que serão desmontadas após a mostra e reaproveitadas, em sua totalidade, em outras empreitadas.

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