Data: 14/07/2021 16:29 - Alterado em: 08/03/2022 09:14 / Autor: Redação / Fonte: Itaú Cultural

Itaú Cultural lança coluna que revela novos autores da literatura contemporânea brasileira

O trabalho da rapper paraense Bruna BG é o tema deste mês na coluna voltada à literatura contemporânea brasileira no site do Itaú Cultural


Bruna BG utiliza as palavras e composições para além do papel. Ela, enquanto rapper, as dinamiza verbalizando e afirmando sua identidade de mulher negra, lésbica e ribeirinha
Bruna BG utiliza as palavras e composições para além do papel. Ela, enquanto rapper, as dinamiza verbalizando e afirmando sua identidade de mulher negra, lésbica e ribeirinha

Crédito: Divulgação

A coluna mensal do site do Itaú Cultural  Encontros com a nova literatura brasileira contemporânea, no dia 10 de março (quinta-feira), tem como convidada a escritora e rapper paraense, natural de Breves, Bruna BG. Idealizado pelo Núcleo de Comunicação da organização e com curadoria da professora e pesquisadora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Fabiana Carneiro, neste espaço o público tem contato com novos autores da cena literária no país e conhece a sua trajetória e obra. Os escritos de Bruna escolhidos para esta edição, são os poemas Pesadelos, Atrás do meu sonho e Fogo e Mar. Todos eles contam também com um vídeo clip.

No final de 2021, Bruna lançou o primeiro EP homônimo que impactaram a curadora da coluna. “Ela produz os seus versos a partir da convicção de que a poesia não é um luxo.” Na opinião de Fabiana, a dimensão de horror que converte em pesadelo a experiência de boa parte das populações negras periféricas surge na obra de Bruna. “Isso aparece de modo sensível, flagrado em pormenores que insuflam a eu-lírica das canções a insurgir-se contra o status quo, mesmo que combalida pelas feridas da impotência.”

A curadora traça um paralelo entre a obra da rapper e a da poeta e intelectual afro-estadunidense Audre Lorde: “tal como na obra de Lorde, o amor e o gesto de amar entre mulheres negras surgem como contrapontos ao medo e aos traumas causados pela precariedade das vidas negras numa sociedade estruturalmente racista”, diz. “Mulher preta, ribeirinha, lésbica afirmando seu lugar em uma paisagem artística ainda predominantemente masculina e heterocisnormativa, Bruna elege o sonho e o amor como caminhos possíveis de reconciliação das partes fraturadas de si mesma”, observa.

Sobre a coluna

As obras selecionadas na coluna são escolhidas a partir de material já publicado dos autores ou feitas especialmente para esta publicação. A curadora faz a seleção por região, garantindo, além de diversidade de temas, estilos e gêneros, uma pluralidade de paisagens, sotaques e histórias.  Entram nos critérios de escolha a qualidade estética, a diversidade de perspectivas sociais e o engajamento político-social dos trabalhos, levando em conta, autoras que ainda têm pouca visibilidade no campo literário.

Fabiana tem vasto conhecimento sobre o tema. A sua tese de doutorado analisa a maternidade negra no livro de Ana Maria Gonçalves Um Defeito de cor. Ela é também criadora do projeto Tessituras negras, um ateliê de leituras literárias e práticas pedagógicas afro referenciadas.

Até agora, Encontros com a nova literatura brasileira contemporânea revelou seis escritores da cena literária recente, com poesia e prosa. Iniciada em julho de 2021, começou com Kika Sena, seguida mensalmente por Julie Dorrico, Carol Fernandes, Vãngri Kaingáng, Marcelo Ricardo e Marina Farias.

Neste link, estão disponíveis todas as edições.

SERVIÇO:

Encontros com a nova literatura brasileira

Com curadoria de Fabiana Carneiro da Silva

Idealização: Núcleo de Comunicação do Itaú Cultural

Dia 10 de março (quinta-feira)

Site do Itaú Cultural: www.itaucultural.org.br

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