Data: 01/07/2022 15:53 / Autor: Redação / Fonte: CPS

Frio mobiliza alunos do CPS em campanhas de solidariedade

A chegada do inverno faz os alunos de Etecs e Fatecs voltarem os olhares sobre a comunidade; ações sociais já fazem parte da cultura das unidades do Centro Paula Souza


Street Store da Fatec Assis, alunos à frente da ação da Etec Piracicaba e manta térmita da Etec Atibaia
Street Store da Fatec Assis, alunos à frente da ação da Etec Piracicaba e manta térmita da Etec Atibaia

Crédito: Divulgação

Os termômetros que despencaram para níveis polares no mês de maio fizeram soar o alarme para três alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) Dep. Ary de Camargo Pedroso, de Piracicaba. E foi em um desses dias especialmente frios que eles levaram à professora Flávia Cristina Penteado Martins a ideia de arrecadar roupas e cobertores para a população carente. Flávia, professora de Ética e Cidadania Organizacional, resolveu direcionar o desejo dos alunos. “A ideia é boa, mas vocês precisam fazer isso de forma organizada e sistemática para obter um bom resultado”, disse aos estudantes. “No dia seguinte, eles apareceram com um projeto bem elaborado, por escrito”, surpreendeu-se a professora, que é também Coordenadora do Curso de Recursos Humanos. 

Não foi a primeira vez que essa unidade, assim como tantas outras Etecs e Fatecs, se colocou a serviço da comunidade. Já é uma tradição. O que Thawane Moreira Silva Santos, Alexya de Souza Nascimento e Éverton da Silva Lira fizeram, com a ajuda da professora e o incentivo do coordenador do curso de Logística, Silvio Campion, foi dar um formato à arrecadação capaz de envolver muito mais pessoas em torno de um objetivo comum. 

Nove salas do período noturno entraram em uma acirrada competição, trazendo contribuições que, a cada dia, eram retiradas e catalogados pelos três idealizadores e depositadas em uma grande caixa do pátio central da escola.

O período estabelecido ia de 30 de maio a 14 de junho, mas já no segundo dia a caixa lotou e a sala da coordenação passou a abrigar os itens arrecadados. Não bastou. Foi preciso liberar o espaço de um laboratório de química para as doações que não paravam de chegar – cada peça acrescentava um ponto para a sala doadora. Com o primeiro e o terceiro módulos de Recursos Humanos correndo na dianteira, outras salas já entregavam diretamente para eles as suas contribuições. 

O último dia foi o mais emocionante, com uma fileira de carros estacionados na frente da escola – além da comunidade acadêmica, os parentes dos alunos, mesmo de cidades vizinhas, também haviam se engajado na campanha. E 800 peças angariadas pelo 3º RH só no último dia definiram o vencedor, com mais da metade das 3 mil peças contabilizadas pela escola e entregues ao Fundo Social de Piracicaba, a fim de fortalecer a Campanha do Agasalho de 2022. 

Uma parte menor foi selecionada pelos estudantes do Grêmio e levada por eles à Casa do Bom Menino, instituição que acolhe crianças e adolescentes de até 18 anos de idade.  Os vencedores receberam um merecido prêmio: uma sessão de cinema com chocolate quente e pipoca oferecida nas dependências da unidade.

"Para se ter uma ideia do sucesso da empreitada, o Fundo Social costuma atingir a marca de 5 mil itens com todos os setores da sociedade envolvidos na coleta", conta Flávia. Sozinha, a Etec arrecadou mais que a metade desse número. No dia 24 de junho, para coroar a campanha bem-sucedida, um furgão do Fundo Social chegou à escola, em clima de festa, para retirar as doações. Thawane, Alexya e Éverton esperavam na calçada.

Em Assis, uma loja a céu aberto 

Já é a sexta vez que a Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Assis coloca em prática, assim que começa o inverno, a Fatec Street Store. A ideia da loja de rua voltada aos mais desfavorecidos nasceu em uma ONG da África do Sul e se espalhou pelo mundo.

Na Fatec Assis, ela é também um evento cultural, com a música da banda formada por professores e alunos tornando tudo mais festivo. Estudantes dos cursos de Gestão Comercial, sob a coordenação de Taciana Lemes de Luccas, e de Gestão da Tecnologia da Informação, curso coordenado por Fábio Eder Cardoso, ficaram responsáveis pela arrecadação, separação e classificação das peças. 

Em uma praça, as roupas foram dispostas como em uma loja – e coube aos alunos a tarefa de receber as famílias carentes, mostrar a mercadoria e colocá-la em uma sacola, exatamente como acontece no comércio. A diferença é que não envolve dinheiro.  “Você entrega as peças e não tira dignidade de quem as recebe”, avalia Fábio. Cada pessoa pode escolher de cinco a dez itens de vestuário entre os cerca de mil arrecadados e expostos na Praça da Vila Prudenciana, no último sábado de junho. 

A escola promove várias ações ao longo do ano, sempre com a participação entusiasmada dos alunos. Os poucos estudantes mais retraídos são instados pelo professor a se envolver nesses eventos. “É o fator humano que está em jogo. Os alunos um dia vão lidar com pessoas, liderar equipes”, lembra. Ele conta que a implantação e continuidade do projeto Fatec Street Store foram uma iniciativa do diretor da faculdade, Luiz Carlos Begosso. É uma instituição afinada com a comunidade. “É preciso ter consciência da nossa responsabilidade social”, destaca. 

Força-tarefa para produzir mantas térmicas 

O frio intenso pede também algum tipo de isolante para quem precisa se aquecer durante as noites ao relento.  Pensando nos moradores de rua, os alunos da turma intercomplementar do Curso Técnico de Administração da Etec Professor Carmine Biagio Tundisi, de Atibaia, com estudantes do Novotec da Escola Estadual Ministro Alcino Bueno de Assis (E.E.M.A.B.A.) em Bragança Paulista, decidiram recolher caixas de leite. Pode parecer estranho, mas as caixas são um ótimo isolante térmico. 

Para concluir a operação, eles cortaram cada caixa para transformá-las em mantas térmicas. No primeiro dia do inverno, quando o Ginásio Municipal de Esportes Agostinho Ercolini, de Bragança, se transformou em um albergue provisório, os alunos atuaram também em outra frente: cozinhando e distribuindo sopa para os 32 abrigados. Sob a orientação das professoras Márcia Paiva e Rita de Cássia Ferrari, os jovens se uniram sem medir esforços para dar cabo da ação que precisava ser rápida e correr contra o tempo, que é frio e não para.

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