Data: 19/09/2019 15:01 / Autor: Leonardo Doca / Fonte: Agência Transporta Brasil - especial para a Agência AutoMotrix

Elétrons em ação

JAC Motors trará da China uma linha com cinco veículos 100% elétricos – três SUVs, uma picape e um caminhão leve


JAC iEV20
JAC iEV20

Crédito: Divulgação

A JAC Motors do Brasil é a responsável pela primeira iniciativa de lançamento de uma linha completa de veículos elétricos para o mercado brasileiro. A marca chinesa irá trazer ao Brasil sua linha de elétricos, fabricados na China e com adaptações para o mercado nacional. Serão cinco modelos: o iEV 20, compacto de entrada com trezentos e vinte quilômetros de autonomia, os SUVs iEV 40 e iEV 60, a picape cabine dupla iEV 330P e o caminhão leve de seis toneladas, o iEV 1200T. De quebra, a JAC passa a oferecer também o modelo 100% zero emissões mais barato do país: o iEV 2, que custa R$ 119.900.

A eletrificação já é uma tendência automotiva em desenvolvimento há alguns anos na China, na Europa e nos Estados Unidos, mas, no Brasil, ainda tem ares de novidade. Segundo Sérgio Habib, presidente da JAC Motors do Brasil, a iniciativa da JAC em trazer os carros elétricos ao país não está restrita a uma iniciativa de marketing para trazer ares de amiga do ambiente à marca. “Resolvemos assumir a vocação de buscar um mundo melhor e investimos seriamente em uma significativa evolução do nosso modelo de negócio. Por isso, lançaremos cinco modelos de uma só vez. Manteremos nossa linha de modelos térmicos, com motores tradicionais, embora a família de elétricos assuma o protagonismo na marca. A ideia é chacoalhar o mercado e instantaneamente dar várias opções de compras em segmentos diversificados”, explica o executivo.

Todos os modelos elétricos da JAC que estarão disponíveis no mercado brasileiro trazem baterias de íon-litium com sistema de trava do cabo de recarregamento quando está sendo usado e outros equipamentos exclusivos. Um deles é o i-Pedal, sistema similar ao oferecido no Nissan Leaf e que funciona como um freio-motor, a exemplo dos caminhões. Quanto o motorista tira o pé do acelerador, o carro desacelera gradualmente, acendendo as luzes de freio e fazendo a regeneração da carga da bateria. Com isso, desacelerando com a tração do motor, segundo a JAC, as pastilhas de freios chegam a durar mais de 100 mil quilômetros, devido às frenagens sem usar o freio de serviço.

No painel, o display de leds traz escala gráfica com o consumo instantâneo, que permite ao motorista monitorar seu modo de guiar e gerenciar a duração da bateria. Além disso, os carros têm sistema de telemetria ativo com monitoramento à distância pela central da JAC, que permite a checagem do nível da bateria e orienta o motorista quando estiver abaixo do recomendável e agendar e prevenir reparos. O carro não vem com o carregador de parede. Para isso, a JAC informou que tem uma parceria com a EDP Brasil, que fornece o tal carregador, o Wall Box. Ele custa R$ 8 mil e uma carga completa dura cerca de quatorze horas, em média. Para recargas em qualquer outro lugar, o comprador pode usar o cabo de carregamento portátil – se ele escolher, no momento da compra, por esse opcional, disponível por R$ 3.990.

Para marcar sua estratégia de lançamento dos carros elétricos, a JAC inaugurou uma nova concessionária, de alto estilo, em uma das regiões mais nobres de São Paulo: a Avenida Europa, nos Jardins. Lá, há um showroom dedicado aos veículos dessa linha, o primeiro do Brasil somente com elétricos e pontos gratuitos de recarga para qualquer veículo, de qualquer marca. “Nossa aposta nos carros elétricos é estratégica como pilar de crescimento no Brasil. A JAC Europa não será aberta só agora, durante o mês de lançamento, mas funcionará normalmente. É um ponto de venda definitivo”, diz Habib.

Entre os automóveis que a JAC trará ao Brasil, o mais popular certamente será o iEV 2. Apesar de a JAC Motors insistir em chamar o pequeno veículo de SUV, as características revelam sua natureza de hatch compacto: ele tem 3,7 metros de comprimento, apenas 10 centímetros a mais que o pequeno Renault Kwid, e altura de 1,5 metro, pouca coisa a mais que o compacto da marca francesa. Por ser leve, sua autonomia pode chegar a até quatrocentos quilômetros no modo econômico de direção e as baterias têm 41 kWh de capacidade máxima. O motor tem potência máxima de 50 kW, o que equivale a 68 cavalos. No modo econômico, a velocidade máxima não passa dos 63 km/h, caso o motorista queira atingir a autonomia máxima de quatrocentos quilômetros, a um custo médio da energia de R$ 23,65 para rodar essa distância. No modo Sport, com desempenho total, a velocidade máxima sobe para 113 km/h, mas a autonomia cai para trezentos quilômetros.

O modelo de entrada entre os elétricos da JAC é baseado no subcompacto J2, com motor a combustão, carro conhecido no mercado por suas dimensões reduzidas. O painel tem quadro de instrumentos digital com dois mostradores: temperatura do motor e nível do “tanque”, isso é, graduação e percentual da carga das baterias. Ao centro dos dois elementos, um grande mostrador digital exibe a velocidade instantânea. Abaixo, o motorista encontra as luzes-espia e o computador de bordo, que, dentre outras funções, fica exibindo instantaneamente a direção da carga – se é das baterias para as rodas, nas acelerações, ou das rodas para as baterias, nas desacelerações. À esquerda do volante, encontra-se o botão de acionamento elétrico de altura do facho dos faróis, o interruptor de comando da intensidade de iluminação do painel de instrumentos e a tecla que abre a portinhola na grade frontal para conectar o cabo de carregamento.

O “irmão maior” do modelo 20, o iEV 40, é sucesso de vendas na China e tem autonomia de até trezentos quilômetros. O motor tem 115 cavalos de potência e acelera de zero a 50 km/h em menos de 4 segundos. O modelo já vem sendo vendido em sistema de pré-vendas desde o ano passado e, conforme a JAC, já tem cinquenta e sete unidades reservadas, que começaram a ser entregues a partir de setembro. O preço sugerido é de R$ 153.500. A base para esse modelo foi o JAC T40. A carroceria tem 1,56 metro de altura, 1,75 metro de largura e o porta-malas tem capacidade cúbica de 450 litros. Acima dele estará o iEV 60, que será o maior SUV elétrico da JAC no Brasil, mas só será disponibilizado no país em 2020.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Ágeis e bem equipados
A primeira coisa que se pensa ao dirigir um veículo elétrico é onde está o ruído? Onde estão as vibrações? Ao acionar o botão Start/Stop, o indicador de que o motor está ligado é a mensagem de "Ready" (pronto) no painel. A partir daí, basta selecionar a posição Drive e acelerar. A impressão estranha da falta do ruído do motor passa rápido e é substituída pela satisfação de um cockpit silencioso e confortável. Nas primeiras aceleradas, já é possível de se notar a grande característica dos carros elétricos: o torque alto, disponível a qualquer momento. Ao pisar, o carro responde muito bem e é fácil ficar colado no banco em arrancadas agressivas, retomadas espertas e com boa estabilidade.

No painel, é possível de se acompanhar o desempenho e o consumo do carro: um mostrador ativo em tempo real revela o consumo instantâneo e indica se o veículo está gastando bateria ou regenerando sua carga, durante as frenagens. Além disso, é possível de se acompanhar todas as funções do carro pelo painel, que tem computador de bordo bem completo, com autonomia, consumo, viagens e outras informações. Quando a bateria chega ao nível de 20%, um sinal dá o alerta ao motorista. De acordo com a fabricante, é necessário manter o nível mínimo, pois, quando a bateria cai a zero, existe risco de danos e perda de sua capacidade máxima ao longo do tempo.

No caso do hatch compacto iEV 20, a posição de dirigir é um pouco baixa e o banco do motorista não traz muito espaço, porém não chega a ser um problema. No iEV 40, o conforto é maior e o espaço para as pernas bem mais amplo. Os sistemas sonoros de alerta de proximidade parecem estranhos no começo, no entanto, se mostram úteis e importantes ao logo das viagens. O recurso i-Pedal é útil, pois permite que o carro desacelere ao tirar o pé do acelerador, economizando frenagem. Quando ele reduz, a luz do freio acende, como em qualquer freada. Os modelos contam ainda com assistente de rampa e câmera de ré, o que facilita a operação em garagens apertadas com passagens íngremes. Ao final, a experiência de dirigir os dois modelos mostra uma boa surpresa com o desempenho. Apesar de as velocidades máximas de 110 km/h serem um pouco decepcionantes, o torque alto e as arrancadas eletricamente fortes compensam e tornam tudo divertido e prazeroso.

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