Data: 23/12/2013 13:24 / Autor: Eduardo Nascimento / Fonte: FUABC

Disfunção erétil pode indicar problemas no coração e infarto

Médico do ABC retorna de congresso nos Estados Unidos e apresenta principais novidades debatidas na área de Medicina Sexual


Dr. Mário Henrique Elias de Mattos, professor de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC
Dr. Mário Henrique Elias de Mattos, professor de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC

Crédito: FUABC

Professor de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC, Dr. Mário Henrique Elias de Mattos foi o único médico do Grande ABC e um dos quatro brasileiros que estiveram recentemente no “19th Annual Fall Scientific Meeting” – congresso da Sociedade Norte-americana de Medicina Sexual, que neste 2013 teve lugar na cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos.

Entre os destaques apresentados no evento anual dedicado à Medicina Sexual estiveram novidades relacionadas à disfunção sexual erétil masculina. Houve grande número de trabalhos relacionando o problema com doenças coronarianas – em especial ao infarto agudo do miocárdio. “Essa relação é estreita e explicada pelo fato de que tanto a disfunção erétil quanto o infarto compartilham os mesmos fatores de risco, entre os principais hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, sedentarismo, obesidade e estresse”, explica o professor de Urologia da FMABC, Dr. Mário Mattos, que detalha: “Vários estudos demonstraram o aparecimento da disfunção sexual erétil precedendo o infarto, em período variando entre 2 e 5 anos. Ou seja, a disfunção erétil torna-se um marcador importante do potencial para doença coronariana. Dessa forma, todos os homens que procuram o urologista com queixas de ereção também devem ser avaliados por um cardiologista”.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a disfunção erétil ou impotência sexual pode ser definida como a incapacidade de ter ou manter a ereção peniana em 50% das tentativas de relação sexual satisfatória. Estimativas indicam que aproximadamente 45% dos brasileiros se queixam do problema. O grau de disfunção pode variar desde a redução parcial da rigidez peniana ou incapacidade de manter a ereção, até o extremo da ausência completa de ereção.

De acordo com o Centro de Referência da Saúde do Homem, do Governo do Estado, 90% dos pacientes com disfunção erétil são sedentários. Praticar exercícios físicos regularmente é uma forma saudável e eficaz de melhorar o desempenho sexual, pois contribui com o condicionamento físico, com a circulação sanguínea e aumenta a resistência ao trabalhar as regiões do peito, ombros, braços e pernas, além de elevar a autoestima.

IMPLANTE CIRÚRGICO DE PRÓTESES
O tratamento mais indicado para a disfunção erétil é o medicamentoso, associado ao acompanhamento psicológico. Segundo Dr. Mário Henrique Elias de Mattos, o congresso norte-americano também foi palco para inovações relacionadas ao tratamento cirúrgico do problema, especialmente na área de implante de próteses penianas infláveis. “Os implantes são indicados em situações especiais, quando as medicações orais não são eficientes. Atualmente o procedimento é realizado através de uma incisão única de aproximadamente 3 centímetros, com baixos índices de complicação e rápido retorno à prática sexual. Trata-se de solução definitiva para a disfunção sexual e, segundo os trabalhos apresentados no congresso, com grande avanço tecnológico nos últimos anos. Os índices de satisfação referidos pelos pacientes que realizaram a cirurgia são bastante elevados e espera-se que no Brasil um número cada vez maior de homens sejam submetidos a esta intervenção”, prevê o professor da FMABC, que também é urologista do Hospital do Coração de São Paulo (HCor).

A reposição hormonal masculina foi outro tema bastante discutido, reforçando a importância desta opção terapêutica no tratamento da disfunção erétil em homens com baixos níveis de testosterona. Diversos estudos testaram a segurança do método e demonstraram baixos riscos para a reposição hormonal masculina, desde que bem indicada e monitorada por médico urologista capacitado.

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