Data: 19/05/2016 16:42 / Autor: Malu Marcoccia / Fonte: Metodista

Boletim levanta Índice de Confiança do Empresário Industrial no ABC

Confiança na economia ainda é baixa, mas alguns cenários têm ligeira melhora, aponta Boletim IndústriaABC do Observatório Econômico da Metodista feito em parceria com CNI e Fiesp


Ainda influenciados pela continuidade da baixa atividade econômica que invadiu 2016 após a queda de 3,8% do PIB no ano passado, os industriais do Grande ABC mantiveram-se pessimistas no primeiro trimestre deste ano. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da região chegou a 29,2 pontos, mais uma vez abaixo dos indicadores nacional (36,2) e do Estado de São Paulo (33,1), que também são negativos, conforme o 2º Boletim EconomiABC realizado pela Universidade Metodista de São Paulo em parceria com CNI (Confederação Nacional da Indústria) e Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo).

A escala da pesquisa vai de 0 a 100, ou seja, quanto mais perto de 0, mais desfavorável é a expectativa em relação ao País e quanto mais próximo de 100 pontos, melhor é o grau de confiança, sendo 50 um nível de indiferença ou dentro do usual. No primeiro Boletim EconomiABC, referente ao último trimestre de 2015, o Índice de Confiança Industrial do ABC paulista na economia situou-se em apenas 26,8 pontos, para 36,5 no Brasil e 32 no Estado de São Paulo.

Mesmo com a maior parte dos empresários descontente em relação às condições atuais e expectativas futuras da economia no início deste 2016, houve ligeira melhora na perspectiva para a evolução da demanda, dos empregos e de compras de matéria-prima na indústria do Grande ABC. Houve redução do pessimismo quanto à demanda interna, que subiu de 35,7 em dezembro para 44 pontos em abril. A perspectiva para evolução no número de empregados saiu de 37,8 em dezembro para 42,9 em abril e a expectativa para evolução das compras de matérias-primas foi de 40 para 45,8 no mesmo período. 

Região fortemente industrial (o PIB industrial caiu 6,2% em 2015, mais que a retração geral do País), o ABC amarga o cenário hostil do setor automobilístico, do qual é dependente. Todos os indicadores na região estão abaixo de 50 pontos, à exceção das exportações, cuja perspectiva de evolução saiu de 55,9 pontos em dezembro passado para 63,7 pontos em abril deste ano. A definição de uma política externa clara e a redução das flutuações cambiais observadas neste início de ano, com períodos de valorização do real, têm surtido efeito sobre as vendas externas.

O indicador de estoque de produtos finais aponta para redução dos estoques no primeiro trimestre de 2016 no Brasil (de 46,6 em dezembro para 48,9 em março e abril de 2016, ou seja, mais perto dos 50 pontos dentro do usual). No ABC, foi de 50,7 em dezembro para 55,6 em março, mas despencou para 36,9 em abril.

DESEMPREGO EM 16%
Esse dado reflete o ambiente de baixa atividade produtiva no setor e pela elevação do estoque efetivo e relação ao planejado. Uma das consequências dessa conjuntura é a queda no nível de emprego, apontada pela elevação do índice de desemprego apurado pelo SEADE para o ABC paulista, que voltou a registrar níveis acima de 16% da PEA.

Neste cenário, a intenção de investimentos para os próximos seis meses continua em baixa. No Brasil, esse indicador subiu de 41,6 em dezembro passado para 40,7 em abri deste ano. No Grande ABC a intenção de investimento caiu mais de 10 pontos neste primeiro trimestre de 2016, comparado com o último trimestre de 2015. Em meses, desceu de 44,9 em dezembro para 39,4 em abril.

Os principais problemas apontados pelas indústrias do ABC que afetam suas operações no primeiro trimestre de 2016 foram a falta de demanda interna atribuída à recessão e ao corte de consumo das famílias (80%), a elevada carga tributária (55%) taxa de juros e a falta de capital de giro (25%).

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