Data: 28/05/2020 09:04 - Alterado em: 28/05/2020 18:38 / Autor: / Fonte: Agências de Notícia - Vídeo por Odair Jr./ABCdoABC

ABC está fora dos parâmetros de flexibilização do GovernoSP?

Plano São Paulo, a “retomada consciente”, mantém as restrições de alerta máximo para a região baseado em “Dados Técnicos” apontados em capacidade do sistema de saúde e evolução dos casos


Cidades da Grande região metropolitana (Vale do Ribeira, da Baixada Santista e a Grande São Paulo) estão indignadas e surpresas com o anúncio da continuidade de quarentena rígida por mais 15 dias.

O ABCdoABC tentou ver o porquê dessa indignação e criou alguns gráficos de munícipios da região metropolitana tentando mostrar essa diferença apontada com a capital. NÂO ACHOU; vejam os gráficos no final da matéria e tentem entender o pensamento do nosso governante maior, João Doria.

A falta de transparência da prefeitura da cidade de São Paulo no atendimento à imprensa dificultou a pesquisa. Solicitamos dados simples e a resposta desapontou:

Alex.
Temos o link do Boletim Covid Diário que publicamos em nossa Área de Imprensa, esperamos que ajude.
https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/20200527_boletim_covid_19_diariov2.pdf

Nossa resposta foi imediata:

Boa tarde,
Página já acessada, mas não informa os dados solicitados.
Não conseguiremos finalizar nosso estudo com esses dados e não pensamos em publicar o motivo do término do trabalho.
Agradeço a agilidade em pontuar esses três dados solicitados.

Ficamos sem resposta e infelizmente um dos dados importantes não conseguimos acessar como verão nos gráficos.

Nossa região, classificada em fase 1, continua apenas permitida a atividade industrial e a construção civil. O governo estadual que vem sofrendo pressão de prefeitos pela reabertura econômica, mas o número de infectados e óbitos avança. O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), não concorda e argumenta que foi adotado um critério que beneficia a reabertura da capital, mas os índices de sua cidade estão melhores do que o da capital.

DADOS TÉCNICOS OU DESCONTROLE
No caso da capital, a decisão de Prefeitura e governo do Estado de incluir a cidade de São Paulo na lista de municípios que poderiam começar a retomada se deu por pressão da gestão Bruno Covas (PSDB), uma vez que as subprefeituras vinham relatando dificuldade de manter as restrições vigentes. O diagnóstico da equipe foi que a restrição ao comércio não se sustentaria por mais uma semana, e que algo precisaria ser feito: ou um endurecimento das medidas, com apoio do Estado (o lockdown), ou um processo de abertura controlado. A palavra “desobediência civil” passou a circular no WhatsApp dos gestores, ao falarem da manutenção da quarentena atual. Os técnicos da Prefeitura notaram dificuldade em adotar as medidas que haviam determinado anteriormente para tentar aumentar o isolamento social.

COM A PALAVRA, Pedro Cia Junior
Presidente da ACISA (Associação Comercial e Industrial de Santo André) concedeu uma entrevista em vídeo falando sobre o Sentimento de Indignação da entidade alegando que a região se preparou para a retomada das atividades e que a cidade de São Paulo até então o epicentro da pandemia passa no próximo dia 1º de junho para a 2ª fase de flexibilização enquanto o Grande ABC ainda tem que se manter com restrições maiores. Comentou sobre as dificuldades de empresários na aquisição de financiamento e vislumbra um novo cenário econômico onde empresas terão que se adequar à tecnologia nas vendas. Pedro Cia busca um maior alinhamento com o Consórcio Intermunicipal e com as outras associações comerciais do Grande ABC

CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL GRANDE ABC INDIGNADO
O Consórcio Intermunicipal Grande ABC, representado pelas sete cidades da região, esclarece que recebeu com profunda surpresa e indignação, nesta quarta-feira (27/5), o comunicado feito pelo Governo do Estado de São Paulo de que a cidade de São Paulo teve uma análise separada da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) na nova fase do plano de retomada econômica do Estado.

Vale lembrar que o Departamento Regional de Saúde (DRS1), responsável por cuidar do planejamento das ações do setor na RMSP, é o mesmo que cuida das diretrizes da Capital.

O Consórcio Intermunicipal Grande ABC, através dos seus entes, irá se certificar do motivo dessa análise separada da Capital e voltará a se reunir na próxima sexta-feira (29/5), por videoconferência, às 10h, com os prefeitos da região.

OAB SANTO ANDRÉ FALA SOBRE A NÃO FLEXIBILIZAÇÃO DA QUARENTENA
A 38ª Subseção da OAB Santo André, assim como demais entidades de classe da região Grande ABC, recebeu com surpresa e insatisfação a notícia da flexibilização heterogênea da quarentena por parte do Governo do Estado de São Paulo. A região das setes cidades, que comporta hoje seis Subseções da Ordem dos Advogados do Brasil, tratou com responsabilidade o isolamento social visando a preservação do maior número de vidas possíveis e vem alcançando resultados que servem de referência.

Não obstante, já tem lidado drasticamente com as consequências socioeconômicas do isolamento social e agora, com o comércio aberto na capital, mas não nos municípios, perderá mais uma vez comprometendo inclusive uma retomada gradual, já que muitos de nossa região trabalham em São Paulo.

O critério para a escolha da não flexibilização na região mostra-se falho quando a taxa de ocupação das UTIs nas sete cidades tem uma média de 70%, enquanto na cidade de São Paulo esse mesmo índice é de 85%. O que mostra o erro científico nos critérios do Estado.

A OAB Santo André, em encontro ao posicionamento das prefeituras da região, principalmente do município de Santo André, requer uma revisão na análise para que de acordo com a ciência médica e melhores práticas de Políticas Públicas a situação do Grande ABC na pandemia da Covid-19 seja integrada à visão da análise que foi dada à capital paulista.

THIAGO AURICCHIO SE MANIFESTA INDIGNADO
O deputado estadual Thiago Auricchio (PL), coordenador da Frente Parlamentar do Grande ABC, protocolou nesta quinta-feira (28), ofício ao Governo do Estado solicitando a inclusão da região na Fase 2 (etapa laranja) do Plano São Paulo de retomada econômica. Medidas de flexibilização de atividades não essenciais foram divulgadas na última quarta-feira pelo governador João Doria.

“Recebi o plano com muita indignação, acredito que foi uma medida equivocada do Estado em separar a Capital da Região Metropolitana, principalmente do Grande ABC. Não é possível São Paulo falar em lockdown em uma semana e na seguinte estar na Fase 2. Nossos indicadores são mais favoráveis que São Paulo. Se São Paulo pode estar na Fase 2, eu defendo também que a nossa região possa estar”, explica o deputado estadual.

Dados informados pelas sete cidades apontam que o Grande ABC tem uma taxa de ocupação de leitos UTI-Covid de 68%, enquanto São Paulo registra 92%. Além desse indicador, outros dois números chamam atenção. A região tem 210,10 casos por 100 mil habitantes (388,13 São Paulo) e 18,47 de mortes por 100 mil habitantes (30,13 São Paulo).

“Outras questões importantes que reforçam a nossa solicitação são os critérios técnicos e o embasamento na medicina. A região está mais que preparada para receber o mesmo tratamento que São Paulo. O Governo do Estado precisa tratar o Grande ABC de forma isolada, assim como foi feito na Capital”, pontua Thiago Auricchio.

A etapa laranja, que no momento abrange São Paulo e outras dez regiões do Interior e Litoral Norte, prevê a retomada com restrições do comércio de rua, shoppings, escritórios, concessionárias e atividades imobiliárias.

“Esse pleito é importante para que a gente possa iniciar a retomada com cuidado do comércio e da atividade econômica do Grande ABC. Fiz essa solicitação ao Estado e acredito na sensibilidade do governador com esse tema”, conclui o deputado estadual.

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