São Bernardo do Campo

Biografia dos Prefeitos

  • Wallace Cockrane Simonsen

    (1/1/1945 - 19/03/1947)

    Wallace Simonsen

    Wallace Cockrane Simonsen, filho de Sidney Martin Simonsen e Robertina Cockrane Simonsen, nasceu no Rio de Janeiro, em 23 de maio de 1884. Casou-se com Maria Emília Moretson Simonsen, com quem teve oito filhos. Seus primeiros estudos foram no Colégio São Luiz, em Itu. Obteve seu primeiro emprego em 1899, trabalhando como escriturário no Banco do Comércio e Indústria, em Santos. Atuando na corretagem do café, galgou carreira impressionante, se transformando anos depois no presidente-fundador do Banco Noroeste e em influente figura das elites paulistas e brasileiras.

    A relação de Simonsen com São Bernardo iniciou-se em 1929, ocasião em que adquiriu terras na localidade, instalando em 1932 uma chácara particular para recreio de fins de semana, a que deu o nome de “Chácara Silvestre”.

    Em 1943, foi procurado por empresários e políticos locais para liderar o movimento que visava a emancipação de São Bernardo, visto que o local havia sido rebaixado a condição de distrito de Santo André em 1938, por ocasião do decreto do então interventor Adhemar de Barros. Banqueiro de prestígio nacional, Simonsen forneceria a força política que faltava ao grupo. Em maio de 1943, sob a liderança de Wallace, é fundada a Sociedade dos Amigos de São Bernardo. Criada com o objetivo de coordenar a luta pela emancipação, a sociedade contava com a participação de Pery Ronchetti, Francisco Miele, Ítalo Setti, João Corazza e Plínio Ghirardello. Baseados em uma disposição governamental que garantia o direito de pleitear a emancipação aos distritos que preenchessem certos requisitos mínimos em termos de território e população, o grupo solicitou a emancipação do distrito.

    Graças a persistência desse grupo e a influência política de Wallace, o decreto-lei 14.334 de 30/11/1944 (que estabelecia a nova divisão político-administrativa do Estado de São Paulo) elevou o então distrito de São Bernardo à categoria de município, sendo na ocasião acrescentado o denominativo ”do Campo” ao nome “São Bernardo”. O decreto entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 1945 e Simonsen foi nomeado o primeiro prefeito, tomando posse neste mesmo dia e governando a cidade até o início de 1947, quando foi deposto pelo seu inimigo político, o governador Adhemar de Barros, que nomeou Tereza Delta para seu lugar. Entre as principais ações de seu mandato estão a organização da primeira estrutura administrativa da prefeitura, a construção da 1ª caixa d´água do município e a venda para a Tecelagem Elni de um terreno que era originalmente destinado a ampliação do Cemitério da Vila Euclides, com o objetivo de viabilizar um local para a instalação da empresa na cidade.  Wallace faleceu em 6 de junho de 1955.

    Chácara Silvestre (Wallace Simonsen) - São Bernardo do Campo

    Chácara Silvestre

    Bem Cultural tombado pelo COMPAHC — Conselho municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de são Bernardo do Campo – 2008 – Propriedade da PMSBC

    Data da Homologação: 1987 - Lei nº. 2.611, de 18.06.84 / Decreto nº. 8.674, de 16.01.87

    Localização Avenida Wallace Simonsen, 1800 - Bairro Nova Petrópolis.

    Histórico:
    Antiga propriedade de veraneio da família Simonsen, vincula-se à história da cidade pela atuação de Wallace Cockrane Simonsen em prol da emancipação de São Bernardo do Campo, esta ocorrendo em 1945, tendo sido ele seu primeiro prefeito. Preservada em razão de sua importância histórica e arquitetônica, como marco da arquitetura residencial da elite dos anos 30, com forte influência do estilo europeu, presente no destaque dado às vigas da fachada principal e como importante testemunho do subúrbio rural que São Bernardo do Campo desempenhou regionalmente.

    Tereza Delta

    (11/4/1947 - 31/12/1947)

    Tereza Delta

    Tereza Delta nasceu em 2 de novembro de 1919 no Distrito de Santo Amaro, São Paulo, local onde cursou as primeiras letras. É irmã do Dr. Antônio Mangabeira Pereira, fundador e primeiro proprietário da Escola Técnica Paulista de Agrimensura. Casou-se com Maurício Caetano de Castro, com quem teve três filhos. Possuiu e dirigiu o Instituto de Beleza Delta, situado no Bairro da Luz, em São Paulo.
    Por volta do ano de 1943, Tereza veio residir em São Bernardo, instalando-se em uma chácara existente na confluência das estradas do Mar e Vergueiro, onde se produzia um leite de boa qualidade.

    Em fins de 1946 e começo de 1947, abraçou a campanha de Adhemar de Barros para governador do Estado de São Paulo, e na cidade apoiou o movimento popular de protesto contra a prefeitura, diante dos problemas de falta de açúcar, óleo e outros gêneros, granjeando as simpatias gerais. Adhemar de Barros, depois de eleito e empossado governador, afastou Wallace Simonsen da prefeitura e nomeou como prefeita Tereza, que tomou posse em 11 de abril de 1947. Ela permaneceria no cargo até o final desse ano, quando foram realizadas eleições para vereador e prefeito. Eleita vereadora com larga margem de votos, Tereza foi presidente da Câmara entre 1948 e 1951, quando se afastou para assumir uma cadeira na Assembleia Estadual, para onde fora eleita deputada, exercendo o mandato de 1951 a 1955. Durante esse mandato foi responsável pela criação do Instituto de Educação João Ramalho, pela construção do prédio do Grupo Escolar Maria Iracema Munhoz e do viaduto do Km 23 da Anchieta e também pela conclusão pelo Estado das obras do Hospital Padre Anchieta.

    Em 1960, exerceu novamente mandato de Deputada Estadual, como suplente convocada para vaga temporária na Assembleia Legislativa do Estado.

    Após se retirar da política, continuou a se dedicar às atividades de microempresária. Faleceu em 6 de Agosto de 1993.

    José Fornari

    (1/1/1948 - 31/12/1951)

    José Fornari

    José Fornari nasceu em 11 de outubro de 1908 na cidade de Monte Alegre do Sul, MG, filho de Samuel Fornari e de Laura Amaral Fornari. Estudou medicina na Faculdade de Medicina do Paraná, formando-se em 1939. Especializou-se em São Paulo, nas áreas de cirurgia geral e obstetrícia. Começou a clinicar em 1940, na sua terra natal, e em agosto de 1945 veio residir e trabalhar em São Bernardo. Em 1947, disputou pelo PSP a primeira eleição aberta para prefeito de São Bernardo do Campo, encerrando o período em que os mandatários da cidade eram nomeados. Foi eleito obtendo 1607 votos. Entre as obras de sua administração encontram-se a reforma no Lago da Matriz, a construção da Praça São João Baptista, a pavimentação da Rua São Bernardo e de trechos da Marechal Deodoro, Dr. Flaquer e Rio Branco. Também construiu a estrada para tentar o aproveitamento da pedreira, o que acabou não ocorrendo no período por falta de condições favoráveis. Construiu e aparelhou duas escolas municipais: a da Vila Baeta Neves e a do Bairro Batistini.

    Após o término de seu mandato continuou clinicando na cidade, tendo falecido no ano de 1967.

    Lauro Gomes de Almeida

    (1/1/1952 - 3/09/1955)

    (1/1/1960 - 31/12/1963)

    Lauro Gomes

    Lauro Gomes de Almeida, natural de Rochedo, Estado de Minas Gerais, nasceu a 27 de fevereiro de 1895, filho de Sebastião Gomes de Almeida e Olímpia Gomes de Almeida. Viveu em Três Corações – MG, fez seus estudos primários em sua terra natal e, posteriormente, no Seminário de Mariana. Transferindo-se para São Paulo, cursou os ginásios do Carmo e Macedo Soares.

    Foi diretor do Frigorífico Wilson do Brasil S.A, onde entrou como operário, tendo ascendido posteriormente à chefia do departamento legal. Casou-se com Lavínia Rudge Ramos, filha única de Orlandina Rudge Ramos e Arthur Rudge Ramos, o homem que, de 1913 a 1920, reformou o Caminho do Mar, transformando-a na primeira estrada pavimentada para automóveis da América do Sul. Em 1951, enquanto estava na Europa, candidatou-se a prefeito através de procuração, tendo iniciado a campanha efetivamente só pouco tempo antes da eleição. Mesmo assim, venceu o pleito, derrotando Edmundo Delta, que tinha o apoio de sua irmã, a ex-prefeita e então deputada Tereza Delta.

    Sua primeira administração coincidiu com a intensificação do processo de industrialização do município e foi marcada tanto por realizações (instalação do novo posto de puericultura e de novos grupos escolares, pavimentação de muitas das principais vias da cidade, construção da atual Praça Lauro Gomes e do Parque Municipal do Estoril), como também, pelo expressivo aumento da arrecadação municipal, impulsionado pela forte alteração nos valores venais e locativos dos imóveis no lançamento dos impostos municipais.

    Em 1954, por expressiva votação, Lauro foi eleito deputado federal por São Paulo, mas só assumiu o cargo em 1955, após se afastar da prefeitura.

    Foi novamente escolhido prefeito de São Bernardo nas eleições de 1959, tendo tomado posse em 1º de janeiro de 1960, para mandato que terminou em 31 de dezembro de 1963. Seu vice era Hygino Baptista de Lima. Foi neste período que se desenhou o primeiro plano diretor da cidade, desenvolvido pela equipe liderada pelo urbanista Flávio Villaça, cuja execução só terminaria nas administrações subsequentes. Outra ação relevante foi a intervenção de Lauro junto ao governo estadual e federal para liberação de verbas para a construção da Escola Técnica Industrial (atualmente conhecida por ETE Lauro Gomes), objetivo que ele vinha perseguindo desde seu primeiro mandato como prefeito.

    Eleito deputado estadual em outubro de 1962, não tomou posse do cargo, visto que preferiu concluir o mandato em São Bernardo. No ano seguinte, disputou as eleições para a prefeitura de Santo André. Venceu o pleito, tendo assumindo o mandato em 1º de janeiro de 1964 e permanecido pouco tempo: Lauro faleceu em 20 de maio daquele ano, vitimado por problemas cardíacos.

    Sigismundo Sérgio Ballotim

    (03/09/1955 - 31/12/1955)

    Sigismundo Sérgio Ballotim nasceu em São Bernardo, em 4 de abril de 1924. Seus pais foram Domingos João Ballotim e Hermínia Miele Ballotim, e seus avós eram imigrantes italianos radicados em São Bernardo. Seu pai foi fundador da Fábrica de Móveis “Miele, Miele & Ballotim” e da Indústria “Saltos de Madeira para Calçados”.  Fez seus primeiros estudos no Grupo Escolar de São Bernardo, depois ingressando no Colégio Martins Fontes, em São Paulo, onde se diplomou contador em 1945.

    Sigismundo começou a prestar pequenos serviços nas indústrias de seu pai, onde efetivamente ingressou em 1935. Passou a ser sócio da empresa em 1940, quando da transformação da firma para D.J. Ballotim & Cia. Ltda. Casou-se com Maria Flora Pioli Ballotim, em 7 de setembro de 1946, com quem teve três filhos.

    Em 1951, foi eleito vereador à Câmara para o mandato legislativo de 1952 a 1955. Durante este período exerceu o cargo de 1° secretário da Câmara no primeiro exercício e nos três seguintes, o de presidente. Entre setembro e dezembro de 1955 substituiu o prefeito Lauro Gomes de Almeida, que se afastara para assumir vaga de deputado federal.

    Durante seu curto mandato foi estabelecido convênio com a Secretaria de Viação e Obras Públicas do Governo do Estado, com o objetivo de construir a estação de captação e tratamento de água da Represa Billings.

    Reassumiu a vereança em 1956, cargo para o qual fora reeleito, exercendo o mandato legislativo de 1956 a 1959. Sigismundo faleceu em 1996.

    Aldino Pinotti

    (1/1/1956 - 31/12/1959)

    (1/2/1969 - 31/1/1973)

    Aldino Pinotti

    Aldino Pinotti nasceu em São Bernardo, em 5 de agosto de 1912, no sítio de seus pais, Dio Phebo Pinotti e Angelina Scopel Pinotti, que se localizava num dos lotes da antiga linha Jurubatuba.  Em 1919, passou a frequentar as Escolas Reunidas de São Bernardo, no casarão que foi da Intendência (na atual Praça Lauro Gomes). Fez também o curso de aperfeiçoamento da Escola Superior de Guerra, em Santo André. Casou-se com Nair Mariana Corradi Pinotti, com quem teve dois filhos.

    Desde cedo iniciado no trabalho, Pinotti passou a maior parte da infância ajudando os pais no cultivo das terras tendo, mais tarde, aprendido a profissão de marceneiro. Trabalhou como ajudante na Fábrica de Móveis de Cassetari, Vergani e Modolin. Em 1921, deixou de trabalhar na empalhação de cadeiras para ser aprendiz de marcenaria com Antônio Fernandes, indo trabalhar, em 1922, na Fábrica de Móveis São Vicente. Dois anos depois se transferiu para a Fábrica de Móveis Redenção, e matriculou-se na Escola Particular da Professora Hermínia Paggi (noturna), localizada na Rua Marechal Deodoro, altura da Alameda Glória. Na Fábrica Redenção passou de aprendiz de marceneiro para artífice (oficial). De 1932 a 1943 trabalhou na Indústria de Móveis de José Pelosini, onde ficou até 1943, quando ingressou, como marceneiro, na Fábrica de Móveis São Bernardo.  Pinotti adquiriu, na ocasião, algumas ações da firma (que era uma cooperativa de trabalhadores), o que lhe valeu a posição de sócio quotista. Em fins de 1954, com a transformação da firma em sociedade anônima, passou a exercer as funções de gerente comercial e foi eleito presidente da empresa.

    Resolveu ingressar na política em fins de agosto de 1951, durante um encontro com Lauro Gomes e seus correligionários. Faltavam poucos meses para as eleições e Pinotti foi um dos nomes indicados para disputar a vereança. Foi eleito vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro, exercendo esse mandato de 1952 a 1955.

    Em 1955, foi indicado pelo então prefeito Lauro Gomes (que mais tarde romperia com Pinotti) como candidato à sua sucessão. Pinotti elegeu-se prefeito pela coligação PDC, UDN e PRP, tomando posse em 1° de janeiro de 1956. O primeiro mercado municipal do município (que se situava na Rua Padre Lustosa), os primeiros telefones públicos e a implantação da Biblioteca Monteiro Lobato foram algumas das marcas deixadas na cidade por essa gestão de Pinotti.

    Licenciado do cargo de prefeito em 1959, a fim de poder candidatar-se, disputou a edilidade, tendo sido novamente eleito vereador para o período de 1960 a 1963. No fim deste mandato como vereador foi indicado pela oposição para disputar o cargo de vice-prefeito, conseguindo se eleger. Substituiu o prefeito Hygino de Lima em sua licença para viagem à Alemanha, e por razões de saúde não pode assumir o exercício na segunda licença de Hygino.

    No ano de 1968, Pinotti disputou mais uma vez o cargo de prefeito, ocasião em que obteve estrondosa vitória, conseguindo mais que o dobro da votação obtida pelo segundo colocado, o situacionista Jaime Franchini.

    Entre as ações importantes da segunda gestão de Pinotti estão as inaugurações do Estádio Baetão, Museu Raposo Tavares, primeira parte da Avenida Faria Lima, além da construção de diversas escolas e parques infantis. A Cidade da Criança, criada na administração de Hygino de Lima, foi consideravelmente expandida. Outro fato marcante foi a criação da AGESBEC (Armazéns Gerais e Entrepostos São Bernardo), primeira empresa de economia mista da cidade.

    Após conseguir eleger seu sucessor em 1972, Pinotti tentou voltar ao cargo de prefeito em 1976, mas foi derrotado pelo candidato do MDB, Antônio Tito Costa. Faleceu em 11 de maio de 1981.

    Hygino Baptista de Lima

    (1/1/1964 - 31/1/1969)

    Hygino Baptista de Lima

    Hygino Baptista de Lima, filho de Quirino Baptista de Oliveira Lima e de Brasília Tondi de Lima, nasceu em São Bernardo, numa localidade atualmente ocupada pela Represa Billings, em 21 de outubro de 1910. Descendente de uma antiga família da região, Hygino era neto do Coronel João Baptista de Oliveira Lima, uma das mais poderosas figuras políticas locais entre fins do séc. XIX e início do séc. XX.

    Hygino fez seus primeiros estudos na Escola Isolada, que tinha como titular o Prof. Cassiano Faria (1915 -1920) e depois nas Escolas Reunidas. Posteriormente estudou na Escola Álvares Penteado em São Paulo, formando-se contador aos 16 anos. Casou-se com Odete Páscoa de Lima, com quem teve três filhos.

    Em 1927, através de concurso, ingressou no funcionalismo público do Estado, sendo nomeado escrivão da Coletoria Estadual de São Bernardo (sediada em Santo André). Lá fez uma longa carreira, sendo promovido ao cargo de coletor, cargo esse depois transformado em “exator chefe”, no qual se aposentou em 1956.

    Iniciou na política em 1947, candidatando-se a prefeito, mas foi derrotado por José Fornari. Entre 1958 e 1959 colaborou na assessoria política e administrativa do então prefeito Aldino Pinotti. Em 1959, candidatou-se a vice-prefeito na chapa encabeçada por Lauro Gomes, que venceu as eleições. Nessa gestão colaborou na parte administrativa interna e na comissão de desapropriações. No ano de 1963, candidatou-se novamente a prefeito e obteve êxito, ganhando as eleições com mais de 16 mil votos. Começou em 1° de janeiro de 1964 o mandato que deveria terminar em 1967, mas devido a alterações da Constituição e da Lei Eleitoral promovidas pelo governo militar, seu mandato foi prorrogado por mais um ano e um mês, terminando em janeiro de 1969.

    Coube a sua gestão começar a execução de muitas das obras delineadas no plano diretor, entre elas as do plano viário (que previa a canalização do Rio dos Couros e a construção das avenidas Faria Lima e Prestes Maia, entre outras ações). Construiu muitos edifícios públicos, sendo o principal deles o prédio do Paço Municipal, só terminado no começo do mandato de Pinotti, em 1969. Muitas das ações iniciadas em sua gestão só foram finalizadas nas administrações subsequentes. No entanto, também houve várias obras inauguradas pelo próprio Hygino: o Mercado Municipal do Rudge Ramos, o quartel do Corpo de Bombeiros, vários parques infantis e escolas, e também a Cidade da Criança, que seria expandida nas administrações seguintes.

    No ano de 1972, Hygino candidatou-se novamente ao cargo de prefeito, mas acabou derrotado em uma acirrada disputa, em que obteve apenas 286 votos a menos que o prefeito eleito, Geraldo Faria Rodrigues. Em 1976, candidatou-se a vereador pela ARENA, mas retirou-se da campanha quando seus correligionários mais chegados passaram a dedicar-se à campanha do MDB. Hygino faleceu em 2 de junho de 1996.

    Cidade das Crianças

    Geraldo Faria Rodrigues

    (1/2/1973 - 31/1/1977)

    Geraldo Faria Rodrigues

    Nascido em Liberdade, sul de Minas, no dia 6 de agosto de 1930, sua família chegou a São Bernardo no início dos anos 40, tendo seu pai, Joaquim Faria dos Santos, e ele próprio trabalhado na construção da Via Anchieta. Na adolescência trabalhou como office-boy, assistente de produção da Vera Cruz, cobrador de ônibus e garçom. Simultaneamente ainda cursava o ginásio, no município de Santo André. Após ter estudado contabilidade na Escola Técnica de Comércio Senador Flaquer, formou-se em direito pela Faculdade de Direito de São Bernardo e em administração pela Illinois University, nos Estados Unidos. Trabalhou durante anos na empresa Caterpillar do Brasil.

    Em 1954, Geraldo casou-se com Maria Barboza Rodrigues e no mesmo ano iniciou sua vida política ao filiar-se ao PSP, então recém-fundado na cidade por Alfredo Sabatini, seu padrinho de casamento. No ano seguinte elegeu-se vereador, cargo para o qual foi reeleito em 1959 e em 1963. Foi vice-prefeito da cidade na segunda gestão de Aldino Pinotti, e, em 1972, elegeu-se prefeito, alcançando 30065 votos, o que representava apenas 286 votos de vantagem sobre o segundo colocado, o ex-prefeito Hygino de Lima (numa disputa em que também concorreu o futuro prefeito Tito Costa). Sua gestão ficou marcada pela tentativa de descentralização administrativa através da criação de empresas de economia mista (PROSBC, PROTUR, PROCEP, PRODASB e PROSERV), desativadas posteriormente.  Entre as obras importantes de seu mandato estão a construção das avenidas Piraporinha, José Odorizzi e João Firmino, das bibliotecas do Rudge Ramos e Riacho Grande, a duplicação da Avenida Pereira Barreto e a finalização das obras das avenidas Prestes Maia e Faria Lima. Outra medida marcante foi a criação do Jornal Notícias do Município para divulgação dos atos oficiais da prefeitura.

    Tentou um segundo mandato em 1982, mas, assim como nas candidaturas a deputado estadual em 1978 e 1986, não obteve sucesso. Na década de 90, voltou a participar da administração da cidade como Diretor de Fomento ao Comércio e aos Serviços e também como presidente da ECT (Empresa de Transporte Coletivo). Faleceu em 16 de dezembro de 2005.

    Antônio Tito Costa

    (1/2/1977 - 31/1/1983)

    Antônio Tito Costa

    Iniciou sua vida profissional no Departamento Jurídico do Frigorífico Wilson em São Paulo, onde conheceu Lauro Gomes, que era diretor da empresa.

    Lauro Gomes, vencendo as eleições em 1951, trouxe Tito Costa para a Prefeitura de São Bernardo do Campo, onde assessorou o mesmo antes de sua posse. Em 1952, assumiu as funções de advogado e procurador da Prefeitura de São Bernardo do Campo, onde permaneceu até 1954, trabalhando principalmente na organização dos setores jurídicos, legislativos e administrativos. Participou na elaboração da bem sucedida reivindicação de São Bernardo para mudar uma lei estadual de 1948 que havia excluído o território do Taboão do município.

    Foi assessor do prefeito Lauro Gomes em seu segundo governo, de 1960 a 1963, e também quando o mesmo foi prefeito de Santo André, nos primeiros meses de 1964.

    Desde 1951 foi advogado militante nos fóruns de São Paulo e de São Bernardo do Campo. É especializado em Direito Público, especialmente o administrativo e o eleitoral. Concorreu pela primeira vez ao cargo de prefeito de São Bernardo em 1972, mas acabou na terceira colocação. Tentou novamente em 1976, tendo Mário Ladeia da Rocha como vice, e foi bem sucedido desta vez: venceu as eleições com mais de 60 mil votos. Sua gestão foi marcada pela atuação na área cultural: foram inaugurados quatro teatros (Abílio Pereira de Almeida, Procópio Ferreira, Martins Pena e Elis Regina), três bibliotecas (Érico Veríssimo, Manuel Bandeira e Guimarães Rosa), o Centro de Pesquisa do Folclore (na Chácara Silvestre), além de algumas casas de arte.   Outro fato notório foi o apoio dado às greves dos metalúrgicos ocorridas na cidade em 1979-80, nas quais autorizou o uso do Estádio da Vila Euclides para a realização de assembleias.

    Candidatou-se a uma vaga de deputado na Assembleia Constituinte em 1986, mas não foi eleito. Apesar disso, no ano seguinte assumiu como suplente na vaga deixada pelo deputado Ralph Biasi, que estava indo integrar o secretariado do estado de São Paulo. Perderia ainda as eleições para prefeito (em 1988) e para deputado federal (em 1990), até concorrer em 1992 ao cargo de vice-prefeito na chapa liderada por Walter Demarchi, a qual foi eleita com 125 mil votos. Tentou de novo se eleger prefeito em 1996, mas, embora tenha alcançado o 2º turno, acabou perdendo as eleições para Maurício Soares.

    Aron Galante

    (1/2/1983 - 31/12/1988)

    Aron Galante

    Aron Galante nasceu na cidade de Santos, em 26 de Janeiro de 1932. Veio morar em São Bernardo do Campo em 1949 e formou-se pela Faculdade Paulista de Medicina em 1958. No município exerceu a medicina em diversos locais: passou pelo Posto de Puericultura do Baeta Neves (1960-7), Pronto Socorro Municipal (1967-1970), Posto de Puericultura da Paulicéia (1970-2), Agência do INPS da cidade (a partir de 1962) e também ocupou o cargo de diretor-médico do Hospital Anchieta (1969-1972). Além disso, foi durante cinco anos diretor do Departamento de Saúde de Diadema e também curador da Faculdade de Medicina do ABC (1970-72). Casou-se com Eni Luiza Galante, com quem teve três filhos.

    Aron ingressou no MDB em 1973, sendo presidente do partido na cidade entre 1974 e 1978. Nas eleições de 1976 foi o candidato a vereador mais votado com quase 6 mil votos. Durante seu mandato, exerceu a presidência da Câmara Municipal por duas vezes (nos biênios 1977/78 e  1981/82). No ano de 1982, candidatou-se a prefeito numa das sublegendas do PMDB e elegeu-se, obtendo 36 mil votos.
    Seu governo priorizou o investimento e a instalação de infraestrutura em diversos núcleos de favelas na periferia da cidade, núcleos que aumentavam exponencialmente no município desde o fim dos anos 70. Uma das principais medidas dessa política foi a criação, em 1985, de um plano que dava concessão de direito de uso do solo (por 99 anos) aos ocupantes de algumas áreas municipais que abrigavam favelas. Neste período, a prefeitura também deu iniciou a urbanização de algumas dessas áreas.

    Após deixar a prefeitura, Aron concorreu, em 1990, a uma vaga de deputado federal, mas não foi eleito.

    Maurício Soares

    (1/1/1989 - 31/12/1992)

    (1/1/1997 - 31/12/2000)

    (1/1/2001 - 05/03/2003)

    Maurício Soares

    Mineiro de Abaeté, nascido no dia 29 de julho de 1939, Maurício Soares é advogado, formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco. É casado com Laerte Soares e pai de três filhos.

    Começou a atuar na política na década de 60. Em 1965, em plena ditadura militar, foi trabalhar como advogado no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, onde permaneceu por 23 anos. No ano de 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, pelo qual concorreu, em 1982, ao cargo de prefeito. Embora tenha sido o mais votado naquelas eleições, com 51 mil votos, o prefeito eleito foi Aron Galante, do PMDB. Isto ocorreu porque a lei eleitoral, na época, permitia que uma legenda lançasse mais que um pleiteante ao cargo, dando vitória ao partido que obtivesse o maior número de votos na soma entre todos os seus candidatos. Como o PMDB conseguiu 78 mil votos na soma de seus 3 candidatos, 27 mil a mais que o PT (que só tinha Maurício concorrendo ao cargo), a vaga ficou com Aron, que era o mais votado entre os pleiteantes peemedebistas. Candidatando-se novamente pelo PT em 1988, Maurício teve melhor sorte e venceu as eleições com 103 mil votos.

    Entre as marcas importantes do seu primeiro mandato estão a municipalização dos transportes coletivos (por meio da criação, em 1989, da Empresa de Transportes Coletivos - ETC) e a implantação de obras de urbanização em 37 núcleos de favelas. Para a realização de obras de água e esgoto em 13 localidades carentes foi utilizado o sistema de mutirões populares.

    Em 1993, após o fim de seu mandato, Maurício deixou o PT e filiou-se ao PSDB. Três anos depois, ao conseguir 185 mil votos e derrotar Tito Costa no segundo turno, elegeu-se prefeito pela segunda vez, cargo para o qual ainda foi reeleito em 2000. A criação da SEDESC (que passou a centralizar vários programas sociais da prefeitura) e da Guarda Municipal e o início do processo de municipalização do ensino fundamental foram alguns dos fatos mais expressivos ocorridos nesse período de dois mandatos consecutivos de Maurício, que se encerrou prematuramente, no início de 2003, quando o prefeito, alegando problemas de saúde, renunciou ao cargo dando lugar ao vice William Dib.

    Já durante o mandato de Dib, Maurício ocuparia as secretarias de Infraestrutura e de Ações Comunitárias, da qual se desligou em 2008.

    Walter José Demarchi

    (1/1/1993 - 31/12/1996)

    Walter José Demarchi

    Walter José Demarchi nasceu em São Bernardo do Campo, no dia 10 de julho de 1939, filho de Albino Demarchi e Santa Dalmolin Demarchi. É oriundo de uma das mais conhecidas famílias italianas da cidade, famosa por seu pioneirismo no estabelecimento dos restaurantes da chamada “Rota do Frango com Polenta”, atividade à qual Walter sempre se manteve envolvido, seguindo a tradição da família. Casou-se com Eda Luiza Bernardello Demarchi, com quem teve duas filhas.

    Sua atuação na política começou em 1976, quando se elegeu vereador pela Arena, com 3.972 votos, sendo o segundo mais votado da cidade. Nesta legislatura presidiu a Câmara (1982) e também a Comissão de Educação, Cultura e Turismo.

    Em 1982, elegeu-se vice-prefeito, integrando a chapa encabeçada por Aron Galante. Ao longo deste mandato atuou como Secretário de Governo, presidente da AGESBEC e chegou a assumir a prefeitura algumas vezes, em consequência das licenças médicas tiradas pelo prefeito Aron.

    No ano de 1988 candidatou-se a prefeito pelo PTB, mas acabou derrotado pelo petista Maurício Soares. Dois anos depois se elegeu deputado estadual obtendo 30 mil votos. Em 1992 disputou novamente as eleições para prefeito e desta vez saiu vitorioso, conseguindo quase 35 mil votos a mais que o segundo colocado, Djalma Bom.

    Em sua gestão, tentando fazer frente aos problemas de evasão industrial e grave recessão que a cidade atravessava nos anos 90, criou a Coordenadoria de Indústria e Comércio, com o objetivo de fomentar a atividade econômica no município. Na área social um fato importante foi a criação, em 1994, do Centro de Referência do Idoso.

    Após o término de seu mandato, tentou uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado, mas não se elegeu.

    William Dib

    William Dib

    Filho de Adib Moisés Dib e Olga Zayat Dib, William Dib nasceu em 1946, na cidade de Garça, interior de São Paulo. Em 1947, mudou-se com a família para São Bernardo do Campo. Antes de ingressar, aos 21 anos, na Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu, trabalhou como office-boy e depois como contador no extinto Banco Ítalo-Suíço. Graduou-se médico em 1972 e em 1973 concluiu pós-graduação em Saúde Pública e Administração Hospitalar, especializando–se na área de cardiologia. Trabalhou na Seção de Assistência Médica aos Operários Municipais e foi médico perito do INSS, além de ter também atuado em sua própria clínica na cidade.

    Sua vida política começou em 1974, quando se filiou ao MDB. Em 1978, durante o mandato de Tito Costa, tornou-se assessor da Secretaria de Saúde e Promoção Social de São Bernardo. Entre os anos de 1984 e 1988, já na administração de Aron Galante, foi Secretário de Saúde e Promoção Social. Nas eleições para prefeito de 1988 foi vice na chapa encabeçada por Walter Demarchi, que acabou derrotada. Quatro anos depois, candidatou-se a vereador pelo PTB, sendo eleito com 4886 votos. Não chegou a assumir a vaga devido à sua nomeação para o cargo de Secretário de Saúde, onde se manteve até 1995.

    Nas eleições de 2000, filiado ao PSB, integrou como candidato a vice-prefeito a chapa liderada por Maurício Soares, que venceu ainda no primeiro turno. No início de 2003, assumiu o cargo de prefeito em função da renúncia de Maurício. Candidatou-se a reeleição em 2004, vencendo a disputa com 76% dos votos válidos. Durante seu mandato foi aprovado o novo plano diretor da cidade, que vigorará até 2016. Outros fatos marcantes do período foram as inaugurações dos parques Cittá de Maróstica (voltado para a prática de esportes radicais) e Salvador Arena e também a reforma e ampliação do Pronto Socorro Central.

    Parque Cidade Escola da Juventude Città di Marostica

    Parque Cidade Escola da Juventude Città di Marostica.

    Parque Salvador Arena

    Parque Salvador Arena

    Luiz Marinho

    (1/1/2009 - 31/12/2012)

    Luiz Marinho nasceu em 20 de maio de 1959, em Cosmorama, município situado no norte do estado de São Paulo, filho de Lourenço Marinho e Maximina da Silva Marinho, agricultores. Formou-se em Direito pela Uniban. Durante sua infância residiu em Santa Fé do Sul e também na cidade de Santa Rita do Oeste, onde cursou o primário e o ginásio.

    Em 1975, sua família migrou para São Paulo, onde seu pai havia comprado um pequeno mercado no Parque São Rafael. Marinho trabalhou no mercado de seu pai até 1978, quando entrou na Volkswagen, exercendo inicialmente a função de operador de equipamentos. Participou das greves dos metalúrgicos ocorridas no período e pouco tempo depois se filiou ao sindicato da categoria.

    No ano de 1982, foi eleito membro da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) da Volkswagen, e em 1984, tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema. Depois de dois mandatos na função de tesoureiro, foi eleito secretário geral da instituição e, em 1993, passaria a ocupar uma de suas vice-presidências. Três anos depois, encabeçando a chapa única que obteve 97% dos votos nas eleições daquele ano, chegou à presidência do sindicato, cargo para o qual seria reeleito em 1999 e 2002.   Uma das principais preocupações durante esses mandatos foi a defesa dos empregos da categoria, uma vez que  os metalúrgicos passavam por difícil momento no período, com ameaças de demissões e fechamento de fábricas.

    Em 2002, foi candidato a vice-governador pelo PT, na chapa liderada por José Genuíno, que acabou derrotada no segundo turno. No ano seguinte, Marinho elegeu-se presidente nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores) permanecendo na função até 2005, quando aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério do Trabalho.   Quase dois anos depois se transferiu para o Ministério da Previdência, em substituição a Nelson Machado. Deixou o cargo em julho de 2008 para disputar pelo PT a prefeitura de São Bernardo. Elegeu-se no segundo turno, alcançando 237 mil votos. Seu mandato iniciou em 1º de janeiro de 2009, devendo durar até 31 de dezembro de 2012.