Data: 15/01/2019 16:08 - Alterado em: 16/01/2019 11:09 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo

Promotoria investiga suposto mensalão a vereadores de Santo André (SP)

Reportagem divulgada nesta terça com exclusividade pela Rádio CBN, indica que 18 dos 21 vereadores da cidade da Grande São Paulo podem ter sido contemplados com propinas de 27 empresas


Câmara Municipal de Santo André
Câmara Municipal de Santo André

Crédito: Reprodução

Sob análise dos promotores estão oito planilhas mensais, de janeiro a agosto de 2016, que indicariam repasses de valores a políticos e os nomes de 27 empresas que mantinham os maiores contratos com a prefeitura de Santo André na gestão passada (Carlos Grana/PT). Em um período de apenas 7 meses, essas empresas teriam entregue R$ 8,5 milhões.

O MP investiga um suposto esquema de mensalão a vereadores do município de Santo André, na Grande São Paulo. Sob análise dos promotores estão oito planilhas mensais, de janeiro a agosto de 2016, que indicariam repasses de valores a políticos e os nomes de 27 empresas que mantinham os maiores contratos com a prefeitura de Santo André na gestão passada (Carlos Grana/PT). Em um período de apenas 7 meses, essas empresas teriam entregue R$ 8,5 milhões.

As informações foram reveladas pela rádio CBN. A repórter Alana Ambrósio teve acesso com exclusividade às planilhas. Alana relata que os papeis mostram ‘entradas’ com os nomes das empresas e os montantes que teriam sido repassados.

O Estadão confirmou que o Ministério Público iniciou uma investigação, com base em representação enviada ao Gaeco, o Grupo de Promotores que combate crime organizado no ABC.

No mensalão agora sob investigação, as planilhas em poder do Ministério Público dão a pista dos destinatários, incluindo onze partidos políticos e despesas de ordem pessoal – celular, combustível, cestas básicas e até pagamento de funerária.

Carlos Grana foi prefeito de Santo André até 2016, ano em que se candidatou à reeleição e foi derrotado pelo tucano Paulo Serra.

Os promotores suspeitam que as planilhas eram controladas pelo ex-secretário de Governo de Grana, entre 2014 e 2016, Arlindo José de Lima. A investigação mostra que ele era responsável pelo gerenciamento das licitações e fazia o elo com os vereadores.

A Rádio CBN destaca que a lista contempla servidores da administração municipal e 18 dos 21 vereadores da legislatura anterior – nove deles permanecem na Câmara de Santo André.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ
Por meio de sua Unidade de Comunicação e Eventos, a administração Paulo Serra (PSDB) declarou.

“Em nosso acompanhamento através da imprensa, dos noticiários e também das inúmeras investigações envolvendo o mensalão no governo do PT, ressaltamos nossa veemente defesa a favor das investigações, pois é notório ser esta uma infeliz prática em gestões petistas.

Além disso, o ex-prefeito e demais responsáveis legais pela gestão anterior deverão prestar esclarecimentos se for comprovada a fraude.

Sempre defenderemos a punição dos culpados com o rigor da lei.

A atual gestão preza pela total transparência nas investigações e está à inteira disposição do Ministério Público para colaborar em todos os aspectos. Só assim podemos livrar nossa cidade destes lamentáveis episódios passados conforme abordado pela reportagem.”

COM A PALAVRA, A CÂMARA DE SANTO ANDRÉ
“A matéria da CBN fala de 18 vereadores da legislatura passada, sendo que 9 foram reeleitos e estão na Câmara municipal. Porém, não recebemos nenhuma lista ou informação de quem são os vereadores. O que temos é o conhecimento da matéria da CBN.”

COM A PALAVRA, O EX-PREFEITO CARLOS GRANA
A reportagem está tentando contato com Carlos Grana. À Rádio CBN, o ex-prefeito rechaçou as denúncias e negou irregularidades em sua administração. Ele declarou que ‘não houve nenhum esquema com empresas, muito menos com a Câmara’.

Grana afirmou que sua relação ‘sempre foi republicana’.

COM A PALAVRA, ARLINDO JOSÉ DE LIMA
O ex-secretário de Governo da administração Carlos Grana, Arlindo José de Lima, declarou em entrevista exclusiva ao repórter Leandro Amaral, do jornal Repórter Diário, que não é o responsável pela elaboração das planilhas que supostamente indicam pagamento de propinas a vereadores.

“Essas listas nunca foram minhas. Eu não fiz essas listas. Meu advogado foi ao Fórum e não tem ainda investigação do Ministério Público sobre isso. Essas listas não foram feitas por mim, não me pertencem. Estou vendo com o advogado que medida vamos tomar também.”

“Categoricamente, deixando muito claro, não fui eu que fiz. Não são minhas essas listas, não me pertencem. Eu nunca fiz, digitar uma lista de caixa 2, ainda mais que era contra a orientação do prefeito.”

“Tem nome nessa lista que não sei nem quem é. Curto e grosso é isso. Não eram minhas essas listas. Vou tomar as medidas jurídicas com o advogado para entender melhor o que está aí.”

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