Data: 14/12/2018 08:40 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo

Prefeitura de Mauá esclarece em nota ação da Polícia Federal

Trato Feito põe Átila Jacomussi e seu ex-secretário de Governo no topo de uma suposta organização criminosa abastecida com propinas. Dos 23 vereadores, apenas um não é alvo da Operação


Marcelo Oliveira (PT) é o único que não foi alvo da Operação Trato Feito
Marcelo Oliveira (PT) é o único que não foi alvo da Operação Trato Feito

Crédito: Reprodução

A Câmara de Vereadores de Mauá, na Grande São Paulo, tem 23 vereadores e foi alvo nesta quinta, 13, de uma devassa sem precedentes em sua história. Logo cedo, equipes da Polícia Federal na Operação Trato Feito vasculharam os gabinetes de 22 dos 23 parlamentares da Casa sob suspeita de ligação com esquema de propinas e mensalão de R$ 500 mil instalado no governo Átila Jacomussi (PSB), prefeito de Mauá preso por ordem judicial. Um único vereador, o 23.º, escapou à malha fina da PF: o petista Marcelo Oliveira.

Em entrevista ao Estado, o parlamentar afirma que nunca lhe foi oferecido nada e se disse surpreso. “Eu convivo com eles (seus colegas de Legislativo) todos os dias.”

A Câmara de Mauá está de recesso. A última sessão do ano foi no dia 4. Os vereadores devem retornar às atividades em fevereiro.

Trato Feito põe Átila Jacomussi e seu ex-secretário de Governo João Eduardo Gaspar no topo de uma suposta organização criminosa abastecida com propinas de um grupo de nove empresas que detinham o monopólio de contratos da administração pública. Em maio, Átila e Gaspar já haviam sido presos, na Operação Prato Feito – investigação sobre desvio de verbas da merenda escolar -, que antecedeu a Trato Feito.

Naquela ocasião, a PF fez buscas na residência do prefeito e do secretário de Governo. Na casa de Gaspar, os federais encontraram a pista que os faz colocar sob suspeita quase todos os vereadores de Mauá.

“Várias planilhas foram apreendidas na residência do secretário de Governo da Prefeitura junto ao dinheiro que foi apreendido na primeira fase”, informou o delegado da PF Victor Hugo Rodrigues Alves, que comanda a Trato Feito.

Segundo o delegado, ‘essas planilhas tinham o controle detalhado do recebimento do dinheiro das empresas e do repasse aos servidores e vereadores com a descrição minuciosa do nome de cada um e de quanto cada um estava recebendo’.

“Na planilha tinha o nome de 22 vereadores”, revela Victor Hugo.

São alvo da Trato Feito os vereadores Adelto Damasceno Gomes (Avante), o ‘Cachorrão’, Admir Jacomussi (PRP), pai do prefeito Átila, Cincinato Lourenço Freire Filho (PDT), o ‘Dr. Cincinato’, Fernando Rubinelli (PDT), Francisco Esmeraldo Felipe Carneiro (Avante), o ‘Chiquinho do Zaíra’, Gildázio Estevão de Miranda (PRB), o ‘Gil Miranda’, Helenildo Alves da Silva (PRP), o ‘Tchacabum’, Jair de Oliveira (MDB), o ‘Jair da Farmácia’, José Wilson Ferreira Silva (PPS), o ‘Melão’, Joelson Alves dos Santos (PSDB), o ‘Jotão’, José da Silva (PSDB), o ‘Pastor José’, Manoel Lopes dos Santos (DEM), Osvanir Carlos Stella (Avante), o ‘Ivan’, Ozelito José Benedito (Solidariedade), o ‘Irmão Ozelito’, Ricardo Manoel de Almeida (PTB), o ‘Ricardinho da Enfermagem’, Roberto Rivelino Ferraz (Democracia Cristã), o ‘Professor Betinho’, Robson Roberto Soares (PR), o ‘Betinho Dragões’, Samuel Ferreira dos Santos (PSB), o ‘Samuel Enfermeiro’, Severino Cassiano de Assis (PROS), o ‘Severino do MSTU’, Sinvaldo Sabará Gonçalves (Democracia Cristã), o ‘Sinvaldo Carteiro’, Vanderley Cavalcanti da Silva (Solidariedade), o ‘Neycar’, e Vladmilson Garcia (PRP), o ‘Bodinho’.

NOTA DE ESCLARECIMENTO DA PREFEITURA DE MAUÁ

A Prefeitura de Mauá esclarece que a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão, autorizado pelo TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região). Cabe salientar que a administração municipal está disposta a auxiliar as autoridades em todos os esclarecimentos necessários, mantendo assim o papel de transparência e lisura junto à sociedade. Enquanto isso, os trabalhos do governo seguem normais, sem prejuízos à população nos serviços públicos.

A administração municipal nega qualquer ilegalidade referente à compra de uniformes escolares aos alunos da rede pública de ensino, assim como não tem nenhuma ligação com empresas citadas pela Operação Prato Feito no serviço de merendar escolar. Inclusive, referente às ações deflagradas em maio pela Polícia Federal, a merenda é realizada por meio do quadro funcional da própria Prefeitura de Mauá, na atual gestão.

Em nome do prefeito Atila Jacomussi, a defesa, representada pelo advogado Daniel Leon Bialski, vem a público esclarecer que não houve nenhum descumprimento às decisões anteriores e, por essa razão, recorrerá ao STF (Supremo Tribunal Federal), por avaliar que a ação desafia as medidas antes impostas. A defesa afirma que já comprovou a inocência do prefeito, motivo pelo qual foi reconduzido à função democraticamente eleito.

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