Mauá

História

  • Mauá - A história antes do nome

    Foto Antiga de MauáAno de 1954, mais exatamente no dia 08 de Dezembro, no qual se comemora o dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, nascia na região do ABC o município de Mauá. Mas antes de se tornar a um dos maiores parques industriais do País, ostentando outrora o título de “Capital da Cerâmica”, título facilitado pelo fato da região possuir solo extremamente apropriado para a atividade ceramista, muitos fatos históricos tiveram que ser percorridos.

    O município de Mauá, palavra proveniente da língua Tupi, a qual significa “aquele que é elevado”, e outorgado a região em homenagem a quem muito fez jus, Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, por seu envolvimento na construção ferroviária da região, tem suas primeiras referencias documentais específicas datadas do início do século XVIII.

    Conhecida, na época, pela denominação indígena de “Cassaquera”, cujo significado é “Cercado de Velhos”, a região servia de abrigo para uma povoação bastante dispersa e de existência diretamente relacionada ao caminho que ligava a então Vila de São Paulo ao litoral.

    Com o surgimento de novos povoados, como o de Pilar, desenvolvida ao redor da Capela de Nossa Senhora do Pilar, construída em 1714 a mando do capitão Antonio Correa de Lemos, e São Bernardo, a atual Mauá tornou-se passagem obrigatória para esses povoados, e deixou de ser conhecida como “Cassaquera” para ser chamada de “Caminho do Pilar” (a região fazia parte do povoado de Pilar), justamente por influência da construção da capela e seu povoado. Parte desse caminho originou a Avenida Barão de Mauá, uma das principais avenidas da cidade.

    Em 1856 começa a influência do Barão de Mauá sobre a região, com a aprovação de um decreto que permitia a constituição de uma companhia, que viria a ser nomeada São Paulo Railway Company, para a edificação da estrada de ferro Santos/Jundiaí, concedendo ao Barão, assim como o Marquês de Monte Alegre e o Conselheiro José Antonio Pimenta Bueno (Marques de São Vicente), o direito de construção e exploração ferroviária por 90 anos.

    Com certa dificuldade com a captação de recursos, o Barão de Mauá obteve do Imperador D. Pedro II uma autorização para buscar recursos no exterior, conseguindo com banqueiros ingleses empréstimo de capital, facilitando assim a empreitada, iniciada em maio de 1860. A ferrovia, que começou no porto de Santos e seguiu em direção a São Paulo, gerou grandes desafios para os técnicos, também britânicos. A solução adotada para transpor a Serra do Mar foi construir uma série de planos inclinados, com um declive de 10%, e utilizar locomotivas estacionárias para descer e subir os trens por meio de cabos.

    De presença frequentemente exigida, na construção da ferrovia, Barão de Mauá decidiu, por volta de 1862, por adquirir uma fazenda localizada no atual município de Mauá, que pertencia ao Capitão João José Barboza Ortiz, um dos primeiros povoadores, e suas irmãs, através de seu procurador José Ricardo Wright, facilitando sua estadia na região. Vale lembrar que o Capitão João, juiz de paz de São Bernardo, hoje nomeia uma das principais avenidas de Mauá, e é justamente na sede de sua antiga fazenda que hoje encontramos o Museu Barão de Mauá.

    Em 16 de fevereiro de 1867 foi inaugurada a São Paulo Railway (Santos/Jundiaí), ligando a capital do estado ao litoral, melhorando significativamente o transporte de produtos agrícolas do interior para o Porto de Santos, especialmente o café produzido na Província de São Paulo, e impulsionando o desenvolvimento socioeconômico local, por permitir a saída da produção para a capital do Estado, tornando-se um dos principais fatores de atração para as primeiras indústrias da região.

    Em 1883, o povoado de Pilar, agora conhecida por Vila do Pilar, motivou a Superintendência da São Paulo Railway Company, por seu constante crescimento, a inaugurar a Estação do Pilar, uma estação ferroviária toda construída em madeira, a qual representa importante papel no processo de industrialização do município, tendo o desenvolvimento do povoado em seu redor.

    As primeiras indústrias do povoado do Pilar foram a “Moagem de Trigo Norza e Rosazza” (antecessora da moagem de sal do Matarazzo), a fábrica de louças “Viúva Grande e Filhos” (mais conhecida como “Fábrica Grande” e pioneira do ramo na região) e a cerâmica e serraria de Bernardo Morelli.

    Esta industrialização da região começou em torno da estação do Pilar. Na parte de baixo da mesma, por ser formada por terras ricas em argila, ficaram instauradas a cerâmica e a serraria, enquanto que a de moagem de trigo se estabeleceu no lado de cima da estrada de ferro. Um pouco mais distante da estação ferroviária ficava a Fábrica Grande (estrada do Corumbé, atual Avenida Presidente Castelo Branco), porém podia-se chegar a ela a pé em poucos minutos. Outra fábrica de louças, a Paulista, instalou-se não muito longe da Estação do Pilar, na antiga estrada das pedreiras, hoje Avenida Barão de Mauá.

    A Vila do Pilar, que desde sua fundação pertencia a São Bernardo, passou então, em 1926, junto com a Estação do Pilar, a ser conhecida pelo nome de Mauá, em homenagem ao Barão de Mauá, idealizador da ferrovia.

    Mauá – De distrito a município
     
    Em 1934, São Bernardo, que na época abrangia todo o atual Grande ABC, elevou o povoado de Mauá à categoria de seu distrito. Posteriormente, quando há a transferência de sede de São Bernardo para Santo André, passando o Município a denominar-se Santo André, Mauá torna-se distrito do mesmo. Em 1943, o Distrito de Mauá começa a querer sua emancipação, assim como os demais distritos de Santo André, porém, somente 10 anos depois, no dia 22 de novembro de 1953, que é feito o plebiscito que permitia a população optar pela autonomia de Mauá como município, sendo a posse do prefeito, vice-prefeito e vereadores eleitos na primeira eleição do município (1954) no dia primeiro de Janeiro de 1955.
    Já com o nome de Mauá iniciou-se na região a implantação do parque industrial mecânico e metalúrgico, químico e petroquímico, sendo a inauguração da indústria petroquímica na cidade um segundo marco para o ano de 1954, ano em que houve a primeira eleição de Mauá como cidade emancipada. 
    A praça central da cidade recebeu o nome de "22 de novembro", em homenagem ao dia da emancipação. A praça foi totalmente destruída em meados da década de 80, para ampliação do Terminal Rodoviário Central. Em 1997, uma nova praça foi construída pela gestão "Amor pela Cidade", através do Projeto Centro Vivo.
     
    Mauá - História Recente
     
    O setor industrial continua sendo o que mais gera empregos formais e contribui com a arrecadação de impostos. Ainda hoje há a predominância das indústrias químicas, petroquímicas, mecânicas e metalúrgicas. As indústrias de maior porte estão situadas no Polo Petroquímico de Capuava e Industrial de Sertãozinho.
    Atualmente, a questão do desenvolvimento econômico e social sustentável da cidade ocupa lugar central na definição das políticas públicas voltadas para a promoção do desenvolvimento local. A atuação do poder público, por meio de reformas na legislação, da reforma administrativa e de políticas públicas, é imprescindível para a deflagração, disseminação e manutenção de um processo de desenvolvimento sustentado, que permita a superação das enormes carências sociais ainda existentes na cidade.