Data: 29/08/2017 08:45 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Alexandre Pelegi

Transporte Coletivo cresce na direção de motores elétricos e híbridos

A expectativa dos especialistas é otimista: até 2050 até 45% dos veículos em circulação no mundo devem ser movidos com energia mais limpa: eletricidade ou por motores de tecnologia híbrida


O otimismo é real, mas para que se efetive muita coisa tem que mudar. Afinal de contas hoje, em todo o mundo, apenas 2% dos veículos são elétricos. No entanto, a participação dos veículos elétricos vem aumentando consideravelmente, o que inclui até mesmo o Brasil. Modelos com tecnologias sustentáveis do ponto de vista ambiental estão atraindo mais consumidores, isso no caso de automóveis.

Se no mercado de carros a realidade ainda esbarra nos custos finais, o transporte coletivo pode dar o tom do crescimento desta alternativa ambientalmente sustentável, com os motores elétricos crescendo no setor. No caso dos veículos de transporte individual, a diferença de preço, entre custos e valor real de mercado, deve ser superada com o avanço da tecnologia e a produção em larga escala.

No caso dos ônibus um exemplo pode ser visto já nos veículos híbridos da Volvo, que começaram a ser vendidos em 2010. Hoje, estima-se que mais de três mil ônibus com essa tecnologia circulam em 21 países. Informações da empresa, em sua sede no Brasil, informam que por aqui há 37 híbridos em circulação: 30 em Curitiba, 5 no Parque Nacional do Iguaçu, um em São Paulo (ônibus turístico) e um em Santos.

Além do híbrido, outros três ônibus com motor elétrico rodam em programa de testes em São Paulo e em Caxias do Sul (RS). É o caso de Santos, conforme anunciamos recentemente. A linha 20 (que liga a praça Mauá, no Centro, à praça da Independência, no Gonzaga) conta agora com um micro-ônibus 100% elétrico. E além deste, conta ainda com um ônibus híbrido, equipado com dois motores, um a diesel e outro elétrico. A tecnologia é híbrida paralela, ou seja, tanto o motor elétrico como o a diesel atuam na tração do ônibus. Quando o veículo está parado ou circulando até 20 km/h, os momentos de maiores emissões, está em funcionamento o motor elétrico. Acima desta velocidade, entra em ação o motor diesel. O híbrido pode reduzir de 35% a 80% as emissões dependendo do tipo de poluente analisado.

No caso de São Paulo, diante da licitação dos transportes coletivos, que deve remodelar o sistema de ônibus da capital paulista, e do não cumprimento da Lei de Mudanças Climáticas, que determinava frota total de coletivos municipais com baixas emissões a partir de 2018, a Prefeitura de São Paulo tem afirmado que vai buscar financiamentos externos e parcerias para ampliar o total de ônibus que lancem no ar menos poluentes, inclusive para a implantação de modelos elétricos.

No dia 14 de julho o prefeito João Doria e o secretário de mobilidade e transportes, Sergio Avelleda, anunciaram a compra de 60 ônibus elétricos à bateria pela Ambiental Transportes Urbanos, seguida da instalação de uma estação de recarga na garagem com energia elétrica gerada por energia solar. Mas apesar do destaque dados pelas autoridades municipais, a compra dos elétricos está travada, e nem mesmo o veículo teste da BYD, apresentado em solenidade diante da prefeitura de SP, está em operação nas ruas da cidade.

Apesar da onda mundial, o Brasil já tem feito experiências há tempos na área de ônibus não poluentes, com destaque para os elétricos.

PANORAMA É DE CRESCIMENTO:
A Volvo mundial já informou que, até 2019, lançará apenas modelos híbridos ou elétricos de automóveis. A decisão foi anunciada no primeiro semestre. Em comunicado da presidência, a Volvo escreve: “As pessoas exigem cada vez mais carros elétricos e queremos responder às necessidades atuais e futuras dos nossos clientes”. A expectativa da empresa é vender um milhão de carros elétricos em todo o mundo até 2025.

O gerente de produto da Ford no Brasil, Fernando Pfeiffer, afirma hoje (28) em matéria do Valor Econômico: “os veículos híbridos serão o pilar de sustentação do nosso plano de mobilidade nos próximos anos”. A montadora americana anunciou um plano global que envolve investimentos de US$ 4,5 bilhões para o lançamento de 13 novos veículos elétricos/híbridos em todo o mundo, até 2020.

Ainda em matéria do Valor, Antonio Jorge Martins, coordenador do MBA em gestão de empresas automobilísticas da Fundação Getulio Vargas (FGV), garante que a indústria brasileira deve seguir a movimentação mundial pelos elétricos. “Não há como um país importante para o setor automobilístico, como o Brasil, deixar de acompanhar essa tendência“.

Enquanto as montadoras ficam de olho no mercado de veículos particulares, o avanço no segmento parece mais firme sustentado no transporte coletivo. Apesar de recentes percalços.

Em São Paulo, às vésperas da licitação do sistema de transporte coletivo urbano, a Câmara Municipal ainda discute um cronograma alternativo à Lei de Mudanças Climáticas, de 2009, que não será cumprida pela prefeitura de São Paulo e empresas de ônibus. Pela lei, em 2018 todos os cerca de 15 mil ônibus não deveriam ser movidos somente com óleo diesel. A troca deveria ser de 10% da frota ao ano desde 2009, mas atualmente apenas 212 veículos, o que equivale a 1,4% da frota, se enquadrariam na lei. Deste total, 200 são trólebus.

Não há como o Brasil ficar de fora dessa tendência, afirmam especialistas
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