Data: 22/11/2016 18:21 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Paulo Porto é roqueiro do ABC. Músico, Compositor, Pesquisador Cultural e Advogado

Qual é o maior problema do País?

Você é um problema para o Brasil? Ou é a solução? Pelas Barbas do Profeta convida gerações a refletir... onde está você diante do todo? Pelas Barbas do Profeta!


Há exatamente um ano, a Folha de São Paulo/UOL, por meio de uma pesquisa do Datafolha em 185 municípios do País, divulgou um ranking onde a corrupção, pela primeira vez, passou a ser reconhecida pelos brasileiros como o maior problema do País. E mostra evolução interessante sobre esse e outros quatro grandes problemas: saúde, educação, desemprego e violência. No momento da prisão do então Senador Delcídio do Amaral (PT/MS) o índice atingiu 34%, seguido pela saúde com 16%, desemprego com 10% e educação e violência com 8% cada. O Datafolha acompanha esse tema desde 1996. E, em junho de 1996, ainda no governo de FHC, era assim: Desemprego 33%, Saúde 15%, Educação 8%, Corrupção 4% e Violência 2%.

Nunca, na história recente do Brasil, a corrupção sequer ficou entre seus 10 maiores problemas e até junho de 2013, nunca sequer chegado a 10%. Evidente que existem outros, tais como fome/miséria, economia, drogas, inflação, altos impostos, burocracia, etc.

Uma pesquisa serve para gerar informação que pode servir para uma direção, talvez, para onde devemos ir, uma vez que saibamos onde exatamente estamos. Gera um conhecimento a partir de um pensamento coletivo. E esse conhecimento pode propor um modelo mental capaz de indicar ações e decisões necessárias a se tomar para o benefício (ou não) de uma coletividade. Não sou um religioso, mas no Livro bíblico de Oséias, um cara (profeta) que viveu 750 anos antes de Cristo, em 4:6, diz: (Deus) que o meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento...

Então vamos ao que interessa: Corrupção? Não... Informação e conhecimento!

Em junho de 1996, curiosamente enquanto o Datafolha realizava sua primeira pesquisa sobre os maiores problemas do Brasil para os brasileiros, Brewster Kahle lança o Internet Archive. E o que é isso?

Kahle, Engenheiro de Computadores americano e empreendedor da internet nos EUA, fundou o Internet Archive. Uma ONG voltada a manter arquivos multimídia na Internet. A mesma página tomada várias vezes e em instantes diferentes a fim de preservar toda a informação sobre tudo o que rolava na internet. Queria preservar o conhecimento humano compartilhado e, ao mesmo tempo, acompanhar a evolução da web, mantendo cópia digital de tudo isso para consultas históricas. O Intenert Archive, sua ambiciosa ação digital, chegou a ser comparada à Biblioteca de Alexandria na época.

O Brasil, em setembro de 1995, lançou o “Cadê?”, uma das primeiras ferramentas de busca da história da internet, senão a primeira. E para brasileiros, no entanto, com planos mundiais. Era um repositório da Web no Brasil, segundo a Wikipédia. Eu, pessoalmente, conheci o projeto e sua incrível inovação, meio que sem entender, evidente. Desenvolvido por uns “malucos” no RJ (um amigo, entre eles), foi vendido para o Yahoo!, que não pagou, lógico, e, dessa forma, foi devorado rápida e facilmente pelos “gringos”, sumindo do mapa, visto que nosso País pouco se importa com suas inteligências nacionais.

Bom, com o “Cadê?” tungado, voltamos para 1996, onde surge o “BackRub”, o embrião Google, um mecanismo de pesquisa da web que houvera indexado, em agosto do mesmo ano, milhões de páginas para consulta, apostando, evidentemente, numa tendência. BackRub era, no entanto, uma poesia...

Mas enfim, via World Wide Web, a efervescência em coletar e concentrar informações para disponibilizá-las para nós, pessoas comuns, parecia não ter fim. Com a Internet, estávamos prestes a tirar um atraso civilizacional de 5.000 anos, do ponto de vista da informação e do conhecimento. E tudo ao mesmo tempo agora, como diriam os Titãs...

Olhando daqui do Brasil, essa fúria capital de uma galera para fazer da internet uma nova fonte de renda, a partir do acesso à informação, trouxe-nos qual perspectiva evolutiva de conhecimento humano 10 anos após essa “livre guerra” de dados?

Em março de 2007, já então efervescida essa vitamina C de acesso à informação pela internet, pronta para o consumo, o Brasil analisava seus principais problemas dessa forma: Violência 31%, Desemprego 22%, Saúde 11%, Educação 9%, Corrupção 3%. É possível concluir que, a partir da informação, os problemas individuais das pessoas do mundo são melhores digeridos pela experiência internet do que os coletivos.

A falta de informações para assuntos mais locais, como a corrupção, ainda é desinteressante em relação à violência, saúde e grana para a dignidade, como se vê. Evidente, porque essas coisas são mais globais e decorrem do homem por si mesmo, independentemente de qualquer análise mais profunda, ainda que das quais, delas, possam decorrer. O homem ainda é raso de saber.

Dado importante da pesquisa, porque, com tudo isso, vê-se que a humanidade está simplesmente buscando reconhecer o seu habitat a partir das mais variadas formas e pessoas, por suas próprias culturas e vivências, sejam lá de onde elas vêm. O homem, ainda até hoje, apenas busca guardar sua forma de seguir com sua vida e proteger sua família... Ainda age como um bicho que é.

Assim, programas de TVs pipocam! A Record, incrível, uma TV evangélica, apresenta sua programação de desgraça durante o dia e graça à noite... E assim se sucedem com todas as outras. Eu já perdi meu tempo em anotar (em todos os canais) a quantidade de palavras que o jornalismo da Globo, Band, Record, SBT e tal, pronunciavam ao disparar notícias... Você acordar 7:00h da manhã para ir ganhar seu dia, ao ligar a TV, o rádio, em cada 10, ouvir 7 palavras de terror? Alguém já se ligou nisso? Matou, roubou, prevaricou, assassinou, atirou, perdeu, abortou, internou, desviou, afogou, estuprou, violentou, desapareceu, fome, miséria, desabamento, deslizamento, enchente, fogo, incêndio, caro, falta, medo, terror, pânico, sequestro, latrocínio, estelionato, corrupção, tiro, internação, câncer, doença, tristeza, lamentação, morte...

É... E a violência é um problema para a família. Porque a violência se dá por um ato de força física ou por intimidação moral de alguém... Até da mídia! A família ainda não entende que o Estado a protege. E, se entende, não confia. Ou não sabe cobrar do poder uma ação efetiva. Um dado constatável nessa pesquisa e muito ruim para quem faz política. E não é ruim, no Brasil, saber que “um terceiro” como a internet, nos assustou mais do que informou? Como é fraca, ineficiente e cara a política no Brasil...

Mas a internet seguiu, não é? A sociedade seguiu também... Contestaria a pesquisa, porque a violência não caiu, mas percebemos, com a informação, o que a desencadeia e isso é mais importante. Passado mais 10 anos e está aí, no topo, a corrupção. E a violência em 4º, junto com a educação.

Na história das decorrências daquilo que causa o quê, só não duvidarei mais do povo internauta brasileiro quando a educação sempre e efetivamente bater à porta do maior problema do Brasil. E a internet, sempre burra e capitalista, acabará por nos ensinar uma forma mais justa de se cobrar àqueles que se movimentam não para serem profetas, como Oséias, pois não precisamos mais destes, desde Jesus. Mas àqueles que se mobilizam para nos proporcionar o bem, como Jesus, diante do poder que nós outorgamos... E independente de orações...

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