Data: 24/05/2019 16:05 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo

Mina em MG se movimenta 4 vezes mais que medições iniciais, diz ANM

O talude da mina de Gongo Soco em Minas Gerais, passou a se movimentar 16 centímetros por dia. Caso ela se rompa, a lama da barragem atingirá três municípios


Barragem em Barão de Cocais entra em alerta máximo para risco de rompimento
Barragem em Barão de Cocais entra em alerta máximo para risco de rompimento

Crédito: Vinicius Mendonça/Ibama

O talude da mina de Gongo Soco, da barragem Sul Superior, da mineradora Vale em Barão de Cocais (MG) passou a se movimentar 16 centímetros por dia, quatro vezes mais que medições iniciais, em pontos mais críticos, e 12 centímetros por dia em sua porção inferior, conforme relatório divulgado nesta sexta-feira, 24, pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

No último dia 13, a Vale comunicou às autoridades que o talude apresentava movimentação. À época, de quatro centímetros por dia. A previsão feita, depois do anúncio é que o talude desmoronaria entre o último dia 19 e este sábado, 25.

Na segunda-feira, 20, porém, o secretário de Estado de Meio Ambiente, Germano Vieira, afirmou que o talude vai se romper, mas que isso poderia ocorrer também depois do prazo previsto.

O principal risco do desmoronamento do talude é que, ao ruir, para dentro da cava da mina, provoque abalo sísmico com intensidade suficiente para romper a barragem Sul Superior, que está 1,5 quilômetro da mina. A estrutura já passa por problemas de sustentação. Em 22 de abril, teve alerta de estabilidade elevado a 3, o mais alto da escala, que significa rompimento iminente.

Caso se rompa, a lama da barragem atingirá três municípios, conforme estudo de impacto da Vale: Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo. Um muro de contenção está sendo erguido entre a estrutura e Barão de Cocais, para tentar reter a lama, caso a barragem se rompa.

AVALIAÇÃO DA VALE
A Vale diz que não há elementos técnicos para afirmar que o eventual deslizamento de parte do talude da mina de Gongo Soco poderia desencadear a ruptura da barragem. A afirmação faz parte de comunicado à imprensa sobre as medidas preventivas em Barão de Cocais, intitulado "Vale reitera que tomou medidas preventivas para qualquer cenário em Barão de Cocais".

A companhia reforça que desde 8 de fevereiro adotou "todas as medidas preventivas" para garantir a segurança dos moradores da região de Barão de Cocais, citando a retirada dos habitantes da Zona de Autossalvamento, apoio para a realização de simulados e preparação das comunidades para todos os possíveis cenários.

Também frisou que o talude da mina de Gongo Soco e a Barragem Sul Superior estão sendo monitorados 24 horas por dia "e as previsões sobre deslocamento de parte do talude, revistas diariamente".

Por fim, a nota traz que a Vale "reforça que não há elementos técnicos que possam afirmar que o eventual deslizamento de parte do talude poderia desencadear a ruptura da barragem. Mesmo assim reitera que todas as medidas preventivas foram tomadas e segue à disposição das autoridades para prestar todo apoio possível".

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