Data: 23/05/2019 10:24 - Alterado em: 04/06/2019 16:36 / Autor: Redação / Fonte: Itaú Cultural

Programação do fim de semana no Itaú Cultural

Última oportunidade para conferir no Itaú Cultural espetáculo circense que destaca a comicidade feminina


 Estupendo Circo de SóLadies
Estupendo Circo de SóLadies

Crédito: Danilo Ferrara

Nos dias 8 e 9 (sábado e domingo) o Itaú Cultural da sequência à programação de fim de semana voltada para as crianças e seus acompanhantes, que no mês de junho é recheada de atrações circenses com espetáculos realizados dentro e fora do instituto. O Estupendo Circo di SóLadies faz a sua última apresentação, na Sala Multiuso, às 15h – em seu lugar nos últimos dois finais de semana do mês, entrará Chiquita Bacana no Reino das Bananas, com o grupo Folias d’Arte.

A programação segue normalmente com GRÃO: Circo da Terra. Apresentado na calçada em frente ao instituto em todos os domingos do mês, dias 9, 16, 23 e 30, com entradas de 20 minutos às 14h, 15h, e 16h, o espetáculo se debruça sobre as trapalhadas poéticas da dupla de trabalhadores Januário e Agostino. Por sua vez, o Cantinho da Leitura, que ocorre em todo o final de semana, segue destacando a influência da cultura indígena e especialmente aos domingos oferece, ao meio dia, contação de história com Auritha Tabajara. Ela é natural da aldeia Imburana, do povo Tabajara, no Ceará, e é também a primeira mulher indígena a publicar um livro em cordel no Brasil.

SoLadies

O Circo di SóLadies surgiu em 2013 a partir da percepção de suas fundadoras, as atrizes e palhaças Tatá Oliveira e Lilyan Teles, de que o espaço pequeno dado à mulher dentro da comicidade e da linguagem do palhaço ainda era pequeno. Três anos depois, o grupo cresceu com Kelly Lima, Vanessa Rosa e Verônica Mello, igualmente atrizes e palhaças. De lá para cá, elas têm se tornado referência por abrir essa perspectiva em relação a desigualdade de gênero.

Com um repertório de cinco espetáculos, elas levam para o Itaú Cultural o Estupendo Circo di SóLadies. No enredo, depois de muito tempo trabalhando em diversos teatros e picadeiros, cansadas dos mandos e desmandos dos patrões, três palhaças decidem criar seu próprio circo e rodar pelo mundo. Com adaptações de cenas clássicas do circo tradicional, música, poesia e interação com a plateia elas revelam a comicidade do picadeiro para crianças e adultos.

Circo da Terra

Aos domingos, a companhia Beira Serra de Circo e Teatro apresenta do lado de fora do instituto, dentro da programação Arte na Rua preparada para os transeuntes da Paulista aberta ao público, esquetes da dupla de trabalhadores Januário e Agostino. Eles desejam vender sua força de trabalho, e, para isso, demonstram toda a destreza e dureza do ofício que desempenham: carpir, preparar o solo, plantar, regar e colher a fruta do pé. Acrobacias, cascatas, malabarismos com enxada, facões e regador, entre outras estripulias, são alguns dos elementos dessa poética encenação circense.

Cantinho, Feirinha e Contação

O acolhimento no Cantinho da Leitura e a Feirinha de Troca acontece no sábado e no domingo. No Cantinho, o público encontra publicações do acervo infantojuvenil da biblioteca do Itaú Cultural. Em junho, o Cantinho se debruça sobre a influência da cultura indígena e a produção literária destes povos. O autor em destaque é Cristino Wapichana. Com o livro A Boca da Noite, ele foi o terceiro colocado no 59.º Prêmio Jabuti e recebeu uma Estrela de Prata, do Prêmio Peter Pan, com a mesma obra. Figura na lista de honra do International Board on Books for Young People (IBBY), da Suécia.

Entre os livros em destaque, disponíveis na Feirinha de Troca, estão o premiado Boca da Noite, sobre os irmãos Dum e Kupai, que sobem a Laje do Trovão, o lugar mais perigoso da aldeia, para desvendar alguns mistérios, e O canto do uirapuru, de Tiago Haiki, sobre uma  história de amor,  que deu origem a lenda do Uirapuru, um pássaro do gorjeio triste e melancólico, que um dia foi umas mulher cujo amado foi morto.

Aos domingos, sempre ao meio dia, o Cantinho promove também contação de história com Auritha Tabajara. Ela, que também é professora e escritora, apresenta lendas que realçam as tradições indígenas e o respeito à diversidade. A história apresentada na segunda semana do mês é O peixe do rio encantado.

Sobre os participantes

Auritha Tabajara nasceu na aldeia Imburana, do povo Tabajara, no Ceará. É a primeira neta dos avós maternos e por esta razão carrega o nome ancestral de Auritha, com o qual assina suas obras literárias. É professora, terapeuta holística, contadora de histórias, palestrante e a primeira mulher indígena a publicar um livro em cordel no Brasil. Em 2002 foi indicada pelo povo de sua comunidade para fazer o curso de magistério indígena. Após a conclusão, nasceu a publicação de seu primeiro livro: Magistério indígena em versos e poesia, editado e adotado pela secretaria de educação do Ceará, em 2007. Em 2010 publicou o folheto, TABAJARA. Atuou por 10 anos como alfabetizadora de crianças, jovens e adultos na escola Jardim das Oliveiras, dentro da aldeia onde morava. Atualmente vive em São Paulo. Sua mais recente publicação, Coração na Aldeia, Pés no Mundo, tem como objetivo desconstruir estereótipos atribuídos à mulher indígena.

Cia Beira Serra de Circo e Teatro foi fundada em 2014 por Fernando Vasques e MiMi Tortorella. Ambos se iniciaram nas artes cênicas na cidade de Botucatu, interior de São Paulo. Posteriormente buscaram formação profissional em instituições de São Paulo. Vasques formou-se ator no Curso de Humor da SP Escola de Teatro. MiMi é atriz bacharel e mestra em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde, atualmente, desenvolve pesquisa de doutorado.

Circo de SóLadies foi idealizado por Lilyan Teles e Tatá Oliveira, o grupo surgiu em 2013 a partir das inquietações em relação a desigualdade de gênero e da percepção de que havia ainda um pequeno espaço dado à mulher tratando-se de comicidade e linguagem do palhaço. Em 2016, após dois anos de apresentações e intervenções, juntam-se a elas as artistas Kelly Lima e Verônica Mello, ampliando o repertório do grupo. Feito por mulheres, palhaças, atrizes, musicistas, pesquisadoras e realizadoras, para todos os públicos, é um circo em que as artistas desenvolvem o repertório através do improviso e do jogo cênico com elementos fundamentais para a conexão e interação com o público, a conquista do estado da graça, do riso e da reflexão sobre o papel da mulher na sociedade.

Cristino Wapichana é músico e escritor com prêmios, como Jabuti, de Melhor Livro Para Criança, FNLIJ 2017 e Peter Pan – Suécia, 2018. Escritor brasileiro a figurar a Lista de Honra do IBBY 2018. Um dos avaliadores de projetos do Programa Rumos em 2017. Produtor do Encontro de Escritores e Artistas indígenas.

SERVIÇO

Estupendo Circo di SóLadies

Dias 8 e 9 de junho (sábado e domingo)

Às 15h

Duração: 50 minutos

Local: Sala multiuso

Capacidade: 70 lugares

Classificação Indicativa: Livre

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: uma hora antes do evento | com direito a um acompanhante

Público não preferencial: uma hora antes do evento | um ingresso por pessoa

Interpretação em Libras

GRÃO: Circo da Terra - com a Cia Beira Serra de Circo e Teatro

Dias 9, 16, 23 e 30 de junho (domingos)

Entradas às 14h, 15h, e 16h

Local: calçada em frente ao instituto

Duração: 20 minutos

Classificação Indicativa: Livre

Não é necessária retirada de ingressos

Com interpretação em Libras

Cantinho da Leitura e Feirinha de Troca

Dias 8 e 9 de junho, das 11h às 17h

Classificação indicativa: Livre

Piso térreo

Contação de histórias indígenas - O peixe do rio encantado

Com Auritha Tabajara

Dia 9 (domingo), às 12h

Piso térreo – espaço do Cantinho da Leitura

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô

Grão O Circo da Terra
Grão O Circo da Terra

Crédito: Danilo Batista

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